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Quarta, 18 de junho de 2014, 08h52 Tamanho do texto A- | A+


POLÍTICA / Padrão Friboi

Operação Ararath descobre envolvimento de dono da JBS Friboi com agiotagem e lavagem de dinheiro

Investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal descobriram que Wesley Batista, presidente da JBS Friboi, foi procurador e administrador de empresas suspeitas de integrar esquema de lavagem de dinheiro em Mato Grosso


Da Redação

Cuiabá (MT) – O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal, denunciaram à Justiça a existência de um forte vínculo entre o presidente executivo do grupo JBS Friboi, Wesley Batista, e uma rede criminosa que atuavam no ramo de agiotagem, financiamento ilegal de campanhas eleitorais e lavagem de dinheiro desviado de cofres públicos em Mato Grosso.  

 

As suspeitas de envolvimento da multinacional de carnes em operações ilegais no mercado financeiro e no submundo da política surgiu com o aprofundamento da chamada “Operação Ararath”, comandada pela procuradora da república, Vanessa Scarmagnani. A operação desmontou um esquema de agiotagem, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e corrupção em Cuiabá, capital de Mato Grosso, que teria movimentado mais de R$ 500 milhões nos últimos dois anos.

 

Durante a quinta etapa da Operação Ararath,  foram realizadas busca e apreensão de documentos que estavam de posse do empresário do ramo de combustíveis, factoring e agiotagem, Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o "Junior Mendonça". Também feitas as prisões do ex-secretário de estado de Fazenda, Casa Civil e Secopa de Mato Grosso, Éder Moraes Dias – que ainda permanece preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília (DF) - e do deputado estadual José Geraldo Rival (PSD), presidente afastado da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, que  já em liberdade, e do gerente do BicBanco na capital mato-grossense, Luiz Carlos Cuzziol.

 

Na mesma ocasião,  também o governador do estado, Silval Babosa, do PMDB, foi detido por algumas horas, por posse ilegal de arma de fogo, crime pelo qual pagou fiança de R$ 100 mil e está respondendo em liberdade.  Barbosa é do mesmo partido pelo qual milita o fundador do grupo JBS Friboi, José Batista Junior, o “Júnior Friboi”.

 

Entre os documentos apreendidos nas residências e escritórios de Gércio “Junior Mendonça”  a Polícia Federal encontrou contratos sociais das empresas Global Participações Empresariais Ltda e Confiança Participações Empresariais Ltda. cujo sócio é o empresário do ramo de supermercados e atacados, Fernando Mendonça, primo dos irmãos Batistas, donos da JBS Friboi, e a filha de Gércio “Júnior Mendonça”, Ariane Victor de Matos Mendonça, bem como o casal Leonardo Rodrigues de Mendonça (também primo dos irmãos Batista) e Raquel Souza Ferreira Rodrigues de Mendonça.

 

O presidente da JBS Friboi, Wesley Batista aparece na investigação como tendo sido procurador e administrador das duas empresas até sua ascensão ao posto máximo de comando do conglomerado fundado por seu irmão mais velho, Júnior Friboi, quando este se aposentou,há cerca de dois anos para se dedicar a aventura de se tornar candidato ao Governo do Estado de Goiás. Ou seja, quem operava as duas empresas, na prática, até bem pouco tempo atrás era o hoje presidente da maior empresa exportadora de carnes do mundo.

 

A descoberta de vínculo entre os negócios escusos operados por Junior Mendonça e Fernando Mendonça e o atual presidente executivo da JBS Friboi, Wesley Batista surpreendeu e chocou tanto a procuradora que comanda as investigações, quanto a alta cúpula do Ministério Público Federal (MPF).  Diante das implicações do caso, e seus possíveis desdobramentos,  o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, chegou a  determinar imediato e total sigilo sobre as investigações da Operação Ararath.

 

O sigilo só foi suspenso há poucos dias por decisão do juiz Jefferson Schnneider, titular da 5ª Vara da Justiça Federal em Cuiabá, onde tramita o processo. Com o acesso da imprensa ao conteúdo das investigações, começam também vir à tona os detalhes e os nomes dos envolvidos em toda a rede criminosa.  

 

Empresas “irmãs” – Segundo o inquérito e a denúncia do MPF,  a Global Participações Empresariais Ltda e a Confiança Participações Empresariais Ltda  foram criadas em 02 de abril de 2008 e 01 de dezembro de 2008, respectivamente. E ambas tiveram, desde a fundação, Wesley Batista como seu procurador e administrador. 

 

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A empresa Global, inicialmente, tinha como sócias-fundadoras duas companhias americanas, a Elany Trading LLC, criada em 23 de janeiro de 2006, e a Avel Group LLC, criada em 01 de fevereiro de 2006 nos Estados Unidos. As duas empresas estão instaladas no mesmo endereço, o numero 520 da 7th Street Suíte C, no Estado de Nevada (USA). Como sócia das duas empresas americanas na Global, aparece Raquel Souza Ferreira Rodrigues de Mendonça, esposa do primo dos irmãos Batista, Leonardo Rodrigues de Mendonça.

 

A procuradoria da república que investiga o caso destacou no inquérito o fato de que, desde a criação da Global, Wesley Batista era o seu administrador/procurador no Brasil. Enquanto as duas empresas americanas tem como representante legal uma terceira compania, a MF Corporate Service e têm como gerente a offshore Camille Service S.A, cuja sede fica no Panamá, o maior paraíso fiscal das Américas.

 

O empresário Fernando Mendonça entrou na sociedade da Global em 17 de outubro de 2007, quando saiu da sociedade a empresa Elany Trading LLC, enquanto a filha de Gércio Júnior Mendonça, Ariane Victor de Matos Mendonça, substituiu a Avel Group LLC na sociedade em 01 de janeiro de 2008.

 

Já Raquel Souza Ferreira Rodrigues de Mendonça, que permanece na sociedade da Global dês a sua criação, perpetuando assim, o vínculo da família Batista com as empresas sob investigação. O casal Leonardo e Raquel também já foi sócio de Fernando Mendonça na empresa atacadista Comércio Regional de Alimentos Ltda, cujo nome fantasia é "Atacado Mendonça".

 

A Global e a Confiança são empresas usadas pelo grupo para "lavar" dinheiro do esquema de agiotagem e desvio de recursos públicos, segundo indicam as investigações do MPF e da Polícia Federal.

 

JBS Friboi bancou Pedro Taques - As descobertas que a Polícia vem fazendo na esteira das investigações da Operação Ararath atingiu em cheio o senador Pedro Taques (PDT). Fernando Mendonça foi seu "homem forte" na campanha eleitoral, atuando como seu coordenador financeiro e principal arrecadador.

 

Pedro Taques_Senador PDT-MT_Foto Assessoria do Senado.jpg

Senador Pedro Taques (PDT-MT)

 

O fato explica o porquê de, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), a companhia JBS Friboi dos irmãos Batista ter sido uma das maiores financiadoras da campanha de Taques ao Senado, com uma doação de  R$100 mil, enquanto o próprio Fernando, doou nada menos que R$230 mil. 

 

Também explica o fato do senador Taques ter empregado em seu gabinete  a filha de Gércio Júnior Mendonça, Ariane Victor de Matos Mendonça, sócia da Global Participações Empresariais Ltda. 

Ariane Mendonça acabou pedindo exoneração do cargo de assessora de Pedro Taques assim que a imprensa em Mato Grosso noticiou sua participação societária nas empresas investigadas.

 



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