Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

Política
Quarta-feira, 17 de Julho de 2019, 10h:31

Ordem teria sido dada pelo chefe da Casa Civil

"Esquema é revoltante; mostra mediocridade do Governo Taques"

Fonte: Midia News

Alair Ribeiro

O ex-vice-governador do Estado, Carlos Fávaro (PSD), classificou como “revoltante” e “medíocre” o fato de ter sido grampeado transversalmente no esquema de escutas clandestinas operadas em Mato Grosso, durante a gestão Pedro Taques (PSDB).

O fato foi revelado pelo ex-secretário da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, em audiência relativa à ação que apura os crimes militares no esquema de grampos, realizada na última terça-feira (17).

 

Lesco disse que um servidor do Governo ligado a Fávaro estava entre os alvos das escutas telefônicas. A ordem para a interceptação, conforme o militar, teria partido do então chefe da Casa Civil, Paulo Taques (primo do ex-governador).

“Esse boato de que eu teria sido alvo já existia lá atrás, mas tratamos isso de forma muito cautelosa pra não ficar repercutindo boato. Agora não, trata-se de uma confissão de um operador desse crime hediondo. Isso é revoltante”, disse Fávaro, em entrevista ao MidiaNews.

O depoimento mostra de forma explícita à sociedade a mediocridade que foi o Governo passado, que ao invés de se preocupar em resolver os problemas do Estado, estava preocupado em bisbilhotar a vida das pessoas

“O depoimento mostra de forma explícita à sociedade a mediocridade que foi o Governo passado, que ao invés de se preocupar em resolver os problemas do Estado – que são gigantes – estava preocupado em bisbilhotar a vida das pessoas. É revoltante”, acrescentou.

Fávaro afirmou que, à época em que os fatos vieram à tona, haviam comentários de que um servidor de nome Kemboli – do setor de tecnologia da informação e responsável pela montagem de um observatório de gestão – é que seria alvo do grampo.

Fávaro não descarta, contudo, a possibilidade de outras pessoas ligadas a ele teriam sido vítimas da chamada grampolândia.

“Isso só o desdobramento das investigações é que mostrará. Quando saiu reportagem sobre esse fato no Fantástico, o governador Pedro Taques negava. Eu não quis fazer nenhum tipo de pré-julgamento. Mas veja a situação que está hoje”.

Fávaro afirmou também que, assim como ele, todos os mato-grossenses de alguma forma se sentem traídos por um governo que “bisbilhotou” a vida das pessoas.

Medidas judiciais

Carlos Fávaro afirmou também que, assim que identificados os responsáveis pelo esquema, não hesitará em tomar as medidas judiciais necessárias.

“Vou tratar esse assunto de forma correta, sem pré-julgamento, mas serei criterioso e rigoroso na defesa da minha liberdade e de todos os mato-grossenses que foram grampeados”, disse.

“Não farei disso uma obsessão, mas vou entregar o caso aos meus advogados para que cuidem disso. Comprovado aquilo que já foi confessado, tomarei as providênciais cabíveis contra todos”, concluiu.

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