Terça-feira, 02 de Março de 2021

O Bocão
Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2021, 17h:34

TUTTI BUONA GENTE

Pool de empresas familiares fatura quase R$150 milhões da ALMT com contratos suspeitos

Grupo de empresas constituídas por empresário e seus familiares domina contratos de TI da Assembleia Legislativa de Mato Grosso desde 2016

Divulgação

Da Redação

 

Os contratos de prestação de serviços de Tecnologia de Informação (TI) firmados pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso com empresas como a RP Tecnologia de Informação Ltda ME/Log Lab Inteligência Digital LDT ME, considerada inidônea por superfaturamento pelo governo de Goiás, sugaram dos cofres públicos quase R$ 150 milhões apenas nos últimos cinco anos.


Há indícios fortes de que tais contratos façam parte de um ajeitado esquema de desvios de recursos públicos para enriquecimento ilícito de particulares, agentes públicos e detentores de mandatos eletivos em Mato Grosso.


As suspeitas vieram à tona com a prisão do empresário Antônio Fernando Ribeiro Pereira na “Operação Negociatas”, deflagrada pela Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas da Polícia Judiciária Civil de Goiás, em julho do ano passado.


Desde a prisão do dono da RP/Log Lab Inteligência Digital, quando foram apreendidos mais de R$500 mil em dinheiro vivo em sua casa em Cuiabá, o Ministério Público Estadual (MPE), vem reunindo informações para a abertura de uma investigação própria a fim de apurar a atuação do empresário no estado e, em especial, sobre os contratos celebrados pela RP que foi transformada em Log Lab e outras empresas de TI com o Poder Legislativo mato-grossense.


Caberá à investigação do MPE-MT determinar se procedem, ou não, os fortes indícios de irregularidades nestes contratos, em especial, celebrados pela ALMT com a RP que foi transformada em Log Lab. Entre as suspeitas, estão desde o direcionamento de licitações passando por superfaturamentos e não prestação de serviços pagos, gestão temerária e suposta fraude documental para justificar os seguidos aditivos neste tipo de contrato.


No caso da ALMT, os contratos e aditivos com a RP que se transformou em Log Lab e outras empresas ligadas ao empresário Antônio Fernando Ribeiro foram determinados pelos presidentes do Parlamento Estadual e chancelados pelos primeiros secretários das Mesas Diretoras da Casa desde 2016. Neste período, presidiram o legislativo mato-grossense os então deputado Guilherme Maluf – atual conselheiro e presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso - e Eduardo Botelho, escudados pelos deputados Nininho e Max Russi na primeira secretaria.


O quinto e último destes aditivos, inclusive, foi feito em 13 de outubro do ano passado, data posterior a declaração de inidoneidade da Log Lab emitida pela Controladoria Geral do Estado de Goiás, após a condenação da mesma a devolver R$1,6 milhões aos cofres públicos goianos devido a manipulação, fraude e superfaturamento em contratos com o governo local.


Ao longo da última semana, a reportagem do Brasil Notícia tentou entrevistar o sócio proprietário da RP que se transformou em Log Lab Inteligência Digital, Antônio Fernando Ribeiro Pereira. Na última tentativa antes da publicação desta matéria, o jornalista falou com o senhor José Pedro, indicado pela secretária da empresa, Taiane, como sendo o responsável pelo setor de Marketing e este prometeu que colocaria a assessoria de imprensa da Log Lab em contato com a reportagem, o que não se cumpriu.


Também o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Eduardo Botelho foi procurado insistentemente pela reportagem para se manifestar sobre os contratos e aditivos do parlamento estadual com RP que se transformou em Log Lab e com outras empresas de TI. No entanto, as tentativas de contato esbarraram na falta de agilidade da assessoria do parlamentar e da própria Secretaria de Comunicação da ALMT (Rosimeire Felfilli) em responder às demandas apresentadas pelos nossos jornalistas.


Quando o mesmo solicitou da secretária de comunicação da ALMT, via telefone se a mesma gostaria de se manifestar sobre a matéria que estava sendo produzida pela reportagem do BRASIL NOTÍCIA, a secretária disse através do telefone que passaria para um dos seus subordinados para respondesse as perguntas sobre a ALMT e a empresa, ainda informando o telefone do mesmo que foi procurado várias vezes via telefone, e o mesmo se encontrava só desligado.


O jornalista questionou a secretária de comunicação (Rosimeire Felfilli) da ALMT se a mesma poderia fornecer o telefone do presidente da ALMT, para que o mesmo respondesse o questionamento do jornalista. A secretária se recusou a falar sobre o assunto e fornecer o telefone do presidente conforme consta em gravação na redação do BRASIL NOTÍCIA, DF.


A reportagem do portal Brasil Notícia já apurou que, além da RP que se transformou em Log Lab, o empresário Antônio Fernando Ribeiro Pereira controla, através de familiares e várias empresas que prestam serviços de TI e suporte, fornecimento de insumos e softwares para órgãos do Estado de Mato Grosso. Voltaremos ao tema.

https://www.brasilnoticia.com.br/o-bocao/investigado-em-mt-e-go-empresario-mato-grossense-continua-a-faturar-valores-astronomicos-em-contratos-com-orgaos-publicos/17294

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