Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

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Terça-feira, 22 de Outubro de 2019, 15h:29

operação Quadro Negro

O Empresário Valdir Piran foi preso pela segunda vez

O Empresário Valdir Piran é apontado pela Delegacia de crimes fazendários (DEFAZ) como o “líder da organização”

Redação

Na manhã desta terça-feira (22) o empresário Valdir Piran e mais cinco pessoas foram presas na operação da Delegacia Especializada em Crimes fazendários e Contra Administração Pública (Defaz). No momento da ordem judicial, decretada pela juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 7ª Vara Criminal da Capital.  

A operação Quadro Negro, coordenada pelos delegados Anderson Veiga, Luiz Henrique Damasceno e Bruno Lima Barcellos e contou com apoio do delegado chefe da DCPI, Amarildo Fernandes e do delegado adjunto, Henry Galdino, apura desvios de dinheiro público no antigo Centro de Processamento de Dados do Estado (Cepromat), atual Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI).  

Além de Valdin Piran, também foram alvos de mandado de prisão: o ex-presidente do Cepromat, Wilson Celso Teixeira (Dentinho); o também ex-mandatário do mesmo órgão, Djalma Soares; ex-secretário adjunto da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Francisvaldo Pereira de Assunção; o fiscal de contratos, Edevamilton de Lima Oliveira e Weydson Soares Fonteles, este último detido em Brasília (DF).  

Não é a primeira vez que Piran foi alvo de operações. Em setembro de 2016, a Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), da Polícia Judiciária Civil, deflagrou a 4ª fase da Operação Sodoma, que investiga crimes de corrupção praticados por uma organização criminosa no Estado de Mato Grosso. O foco da Operação Sodoma  foi o desvio de dinheiro público realizado por meio de uma das três desapropriações milionárias pagas pelo governo Silval Barbosa durante o ano de 2014.

Os trabalhos de investigações haviam se iniciado há mais de um ano. As diligências realizadas evidenciaram que o pagamento da desapropriação do imóvel conhecido por Jardim Liberdade, localizado nas imediações do Bairro Osmar Cabral, na capital, no valor total de R$ 31.715.000,00 à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários Ltda, proprietária do imóvel, se deu pelo propósito específico de desviar dinheiro público do Estado de Mato Grosso em benefício da organização criminosa liderada pelo ex-governador Silval da Cunha Barbosa.

Ficou comprovado na investigação que, além de Silval Barbosa, participaram da fraude Pedro Jamil Nadaf (ex-secretario chefe da Casa Civil), Francisco Gomes de Andrade Lima Filho (procurador de Estado aposentado), Marcel de Cursi (ex-secretario de fazenda), Arnaldo Alves De Souza Neto (ex-secretario de planejamento), Afonso Dalberto (ex-presidente do Intermat), além do proprietário do imóvel Antonio Rodrigues Carvalho, seu advogado Levi Machado, o operador financeiro do grupo criminoso, Filinto Muller, e os empresários Valdir Piran e Valdir Piran Junior, pai e filho. De todo o valor pago pelo Estado pela desapropriação, metade, ou seja, R$ 15.857.000,00 retornaram via empresa SF Assessoria e Organização de Eventos, de Propriedade de Filinto Muller em prol do grupo criminoso.

De acordo com a investigação, a maior parte do dinheiro desviado no montante de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) pertencia a Silval Barbosa, ao passo que o remanescente foi dividido entre os demais participantes, no caso Pedro Nadaf, Marcel De Cursi, Arnaldo Alves de Souza Neto, Afonso Dalberto e Chico Lima. Além de diversas colaborações premiadas, confissões e análise documental que auxiliaram a desvendar todo o ‘modus operandi’  do esquema milionário de desvio de dinheiro público, a prova material obtida com os afastamentos de sigilos bancários e fiscal corroboraram a participação de todos os envolvidos, não deixando quaisquer dúvidas quanto às suas respectivas atuações neste esquema criminoso. Assim, com base em todas as provas produzidas, a Policia Civil representou por prisões preventivas, buscas e apreensões, conduções coercitivas e ainda bloqueios judiciais de contas bancárias, cumpridas em Cuiabá, na cidade do Rio de Janeiro e em Brasília.

Toda a operação contou com suporte da Secretaria de Estado de Segurança (Sesp) de Mato Grosso, da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, e da Polínter de Brasília. Para a operação foram mobilizados cem policiais civis (delegados, investigadores e escrivães lotados na Defaz, Deddica, GCCO, GOE, Dema, DRE).  Em novembro de 2016 o empresário Valdir Piran, compareceu ao Fórum para a audiência de instalação da tornozeleira eletrônica. Piran havia sido preso, mas após pagamento de R$ 12 milhões, teve medida substituída pela cautelar. Questionado pela imprensa ao sair da sala de tornozeleira eletrônica, no Fórum da Capital, sobre a suposta briga que teria tido dentro do Palácio Paiaguás com o então governador Silval Barbosa, Valdir Piran evitou ser categórico na resposta, mas preferiu declarar que fatos mentirosos sobre seu nome rondam na imprensa.

“A mídia às vezes coloca muitas notícias que não existem. Se você for ao meu escritório amanhã eu lhe mostro 15 notícias do ano passado de coisas que não existiram. Que eu fiz com Silval? Aonde? Imagina o governador do Estado dentro do Palácio, ele tem toda uma segurança da polícia militar e civil, se alguém for lá e fizer isso, ele só diz: ‘algema e leva embora’”. Na época Piran havia negado qualquer interesse em firmar um acordo de delação premiada com o MPE, mas garante que irá ajudar no que for possível a esclarecer os fatos.

“Eu estou aqui para colaborar com a justiça”, afirmou. A operação “Quadro Negro” remete ao quadro e giz que ainda funcionam nas escolas, já que as lousas digitais eram falsas, bem como à situação (quadro) estrutural crítica que a educação básica se encontra em razão dos prejuízos causados pelos desvios.        

 

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

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