Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020

Justiça
Sexta-feira, 10 de Julho de 2020, 10h:41

VEJA LISTA

Exclusivo: PF indicia deputado, conselheiro do TCE e dono de fazenda emblemática. Veja lista

No total, 22 pessoas foram indiciadas por integrar o esquema de pagamento de propina pela JBS que causou prejuízo de R$ 209 milhões aos cofres de Mato Grosso do Sul.

O JACARÉ

Além do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e do filho, o advogado Rodrigo Souza e Silva, a Polícia Federal indiciou o primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado estadual Zé Teixeira (DEM), e o ex-secretário estadual de Fazenda e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Márcio Campos Monteiro. No total, 22 pessoas foram indiciadas por integrar o esquema de pagamento de propina pela JBS que causou prejuízo de R$ 209 milhões aos cofres de Mato Grosso do Sul.

 

 

Na segunda-feira (6), os repórteres Aguirre Talento e Bela Menegale, do jornal O Globo, revelaram que a PF concluiu o inquérito 1.190, da Operação Vostok, e indiciaram o tucano pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Conforme o delegado Leandro Alves Ribeiro, há indícios e provas de que o propina paga ao governador foi de R$ 67.791.309,00.

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Entre os 20 indiciados está o pecuarista Élvio Rodrigues, que foi acusado pelos donos da JBS de emitir R$ 9,1 milhões em notas fiscais falsas para legalizar a propina paga a Reinaldo. Ele é dono da emblemática Fazenda Santa Mônica, com 38 mil hectares e avaliada em R$ 25 milhões. O Governo do Estado recorreu ao Tribunal de Justiça para autorizar o pecuarista a desmatar 20,5 mil hectares do Pantanal sul-mato-grossense, considerado patrimônio natural da humanidade.

Outro indiciado foi o empresário Ivanildo da Cunha Miranda, delator que detonou o ex-governador André Puccinelli (MDB) na Operação Lama Asfáltica. Ele teria viabilizado o repasse de R$ 5 milhões no esquema do governador.

A PF encontrou indícios contra os empresários Pavel Chramosta e Daniel Chramosta, donos do frigorífico Buriti, em Aquidauana, que teria emitido R$ 12,9 milhões em notas fiscais para esquentar a propina paga ao tucano. De acordo com O Globo, a empresa fez dois depósitos de R$ 25 mil para a mãe do tucano, Zulmira Azambuja, de R$ 69,5 mil ao irmão, Roberto de Oliveira Silva Júnior, o Beto Azambuja, e de R$ 25 mil para a sobrinha, Gabriela de Azambuja Silva Miranda.

De acordo com a lista obtida pelo O Jacaré, Beto Azambuja, Gabrilela Miranda e Leo Renato Miranda foram indiciados junto com Reinaldo e o Rodrigo no inquérito da Vostok.

Acusado de emitir R$ 1,692 milhão em notas fiscais frias, Zé Teixeira (DEM) acabou indiciado pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa. O democrata chegou ficar preso por cinco dias na Operação Vostok, a 20 dias da eleição, mas acabou reeleito para mais um mandato no legislativo estadual. O mais grave, ele acabou sendo reconduzido pelos deputados estaduais na primeira-secretaria, responsável pelas finanças e cargo só abaixo do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Conselheiro do TCE, Márcio Monteiro também foi indiciado pela PF (Foto: Arquivo)

Ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Fazenda, Márcio Monteiro também acabou indiciado junto com o governador. O conselheiro do TCE ficou preso por cinco dias e foi acusado de emitir R$ 333 mil em notas frias para justificar o suposto pagamento de propina. Na época, ele garantiu que os bois não eram de papel e apresentou documentos para contestar a delação premiada da JBS.

O ex-deputado estadual e prefeito de Dois Irmãos do Buriti por dois mandatos, Osvane Aparecido Ramos (MDB) é outro que teve o nome enviado pelo delegado ao STJ. Ele teria emitido R$ 847 mil em notas fiscais.

Ex-prefeito de Porto Murtinho e ex-presidente da Fundação Estadual de Turismo na gestão de Reinaldo, Nelson Cintra Ribeiro (PSDB), também entrou na lista.

Réu na Operação Lama Asfáltica, o empresário Antônio Celso Cortez, que alegou demência na Justiça Federal para escapar de dois julgamentos, é acusado de ter integrado o esquema de pagamento de propina do tucano.

A lista dos 22 indiciados pela PF na Operação Vostok

Reinaldo Azambuja da Silva (PSDB)  
Rodrigo Souza e Silva    
Ivanildo da Cunha Miranda    
João Roberto Baird      
José Ricardo Guitti Guímaro (Polaco)  
Antônio Celso Cortez (PSG Tecnologia Aplicada)
Cristiane Andréia de Carvalho dos Santos Barbosa 
Pavel Chramosta      
Daniel Chramosta      
Osvane Aparecido Ramos    
Francisco Carlos Freire de Oliveira  
Rubens Massahiro Matsuda    
Élvio Rodrigues      
José Roberto Texeira, o Zé Teixeira (DEM)
Márcio Campos Monteiro, conselheiro do TCE
Miltro Rodrigues Pereira    
Nelson Cintra Ribeiro    
Zelito Alves Ribeiro      
Daniel de Souza Ferreira    
Roberto de Oliveira Silva Júnior  
Gabriela de Azambuja Silva Miranda  
Leo Renato Miranda      

O advogado Carlos Marques, que defende Zé Teixeira, afirmou que só poderá comentar o relatório da PF. A mesma posição foi manifestada pelo advogado Newlley Amarilla, que representa Ivanildo da Cunha Miranda.

“Preciso ler o relatório, que é muito extenso. Mas o relatório é peça informativa, vale dizer, serve apenas para informar o MP (Ministério Público) acerca do resultado da investigação. Cabe ao MP analisá-lo e a partir daí, oferecer ou não denúncia ou, ainda, requerer outras diligências. Se oferecer denúncia, para que se inicie o processo crime, o STJ terá de admitir ou receber essa denúncia”, afirmou Amarilla.

Em nota, divulgada na segunda-feira, Reinaldo repetiu o mantra de que se trata de notícia requentada e de que não houve provas do pagamento de propina. O governador chegou a falar em setembro do ano passado, quando a PF convocou 110 pessoas para depoimento, de que o seu nome não tinha sido citado por ninguém.

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