Caldeirão Político

Quinta-feira, 24 de Maio de 2018, 08h:43

No que você quer ser referência?

No que você quer ser referência? Certa vez, ao fazer essa pergunta a uma equipe, após mostrar uma ferramenta sobre como construir a autoridade profissional, havia um agrônomo no grupo.

No intervalo do treinamento, ele me disse: "Era para eu estar aqui. Hoje esse treinamento foi para mim.”

"Que bom!”, respondi.

Para mim, toda vez que posso ser uma facilitadora da expansão da consciência de alguém, é porque estou a cumprir minha missão.

"Eu tenho estado nesse movimento que você exemplificou hoje.” Ele me contou que durante sua carreira de agrônomo, sempre teve um perfil mais voltado para a área administrativa, e que durante o período em que atuou na área, buscou se desenvolver com o olhar para o comercial, área que na crença dele, lhe renderia melhor remuneração.

Com o foco no recurso financeiro, Guilherme negligenciava seu talento para área administrativa, e toda vez que lhe era ofertada uma oportunidade no comercial, independentemente do quão bem ele estivesse, ele sempre aceitava e, sem muito sucesso e satisfação após um tempo, acabava retornando para sua escolha de preferência, o agrônomo de atuação administrativa.

Naquele dia ele me contava sua história. Ele havia mais uma vez recebido outra proposta para atuar em uma empresa na área comercial, tanto procurava que era acessado por essas ofertas, e mais uma vez estava um tanto inseguro, até aquele dia em que pode despertar.

Era a terceira tentativa para atuar na área em seis anos. E quando, contava sobre essa atuação como agrônomo com foco no comercial, via-se o interesse dele pelo recurso financeiro e nada mais além disso.

“Eu fico olhando meus amigos, e eles conseguiram resultados financeiros muito mais rápido que eu”, dizia sobre a sua carreira.

Ele me contou que desta vez, sua insegurança estava maior. Na empresa onde ele atuava na área administrativa, ao contar sobre sua função, sobre cálculos, estimativas, análise de resultados, seus olhos brilhavam. Contou que naquele ano havia sido promovido, reconhecido e premiado devido a um grande projeto que liderou. E que se saísse daquela empresa pela segunda vez, talvez não conseguisse retornar se não desse certo. Sim, ele já havia, nessa jornada de tentativas, sido aceito para voltar uma vez.

Guilherme estava passando por uma crise que a maioria de nós passamos em nossas carreiras, um processo natural, que se torna um problema quando ela perdura para além do tempo, devido a falta de autoconhecimento e inteligência emocional para considerar o fator tempo e a paciência que algumas carreiras profissionais exigem para que possam maturar. Nessa falta de habilidade em olhar para dentro, para explorar o conhecimento de si, Guilherme, quando estava quase maturando, mudava de foco e mais uma vez zerava sua jornada anterior. Repetindo isso algumas vezes, aquela velocidade toda que ele julgava se tratar da área que ele estava escolhendo errado, comparando - se aos seus amigos, ele já havia se atrasado por conta própria. Sua falta de foco em seis anos estava lhe custando caro, e de longe o fator era somente externo, da área errada.

Naquele dia, o que para alguns era o óbvio para ele era neblina, ele começava a se autocompreender, a se auto responsabilizar.

Em que você quer ser referência? Em que você quer ser autoridade? Todos nós temos qualidades que nos diferenciam e que poderão ser os grandes impulsionadores de nossa carreira. Porém tem uma parte nossa, que a maioria dos bancos das faculdades não irão nos ensinar: autoconhecimento, esta jornada individual e única que ainda poucos despertaram para compreender que nela está o grande segredo pessoal, e nela que somos desenvolvidos para nos auto-observar e reconhecer-nos na jornada, diferenciando o que é meu, o que é do outro e o que é do contexto. Sem essa habilidade, vejo muitos profissionais confusos sobre essas responsabilidades, perdidos, e muitas vezes com prejuízos imensos em suas vidas profissionais e pessoais.

Onde eu estou hoje? Qual é meu estado atual? Qual é o ponto de partida para eu buscar meus objetivos? Saber quem é, os recursos e habilidades que tem e onde está agora de forma clara é o ponto de partida para iniciar o percurso com todos os obstáculos do caminho. É necessário foco e determinação, mas imagine quão difícil é atingir objetivos para quem ainda não parou para se fazer essas perguntas? Para aqueles que acham que são simplesmente resultados do meio - e que diante destes devem somente se encaixar, enlatar - espero que a experiência de Guilherme possa lhe oferecer na sua jornada persistência, paciência e principalmente, execução focada!

Se você está construindo algo e percebe-se conectado emocionalmente de forma positiva e evoluindo na sua jornada, por menor que seja essa evolução, persista, pois constância gera consistência.

Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos. Email: cynthia@grandy.com.br 


Fonte: Brasil Notícia

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