Caldeirão Político

Sexta-feira, 10 de Julho de 2020, 15h:56

VLT e a boa política

É preciso dar um basta aos aventureiros e demagogos, às promessas de campanha não cumpridas

VICENTE VUOLO

A população não aguenta mais tanta decepção na política. É preciso dar um basta aos aventureiros e demagogos, às promessas de campanha não cumpridas, às obras mal feitas e inacabadas, à corrupção endêmica, à impunidade, ao descaso rotineiro com o eleitor, à falta de interesse com projetos que beneficiem a coletividade, enfim, à velha política do toma lá dá cá.

Nem mesmo a pandemia intimidou agentes públicos a enveredar pelo crime. Casos de desvios de medicamentos, compras mal feitas, superfaturamento de produtos essenciais ao combate do COVID-19 aconteceram em vários pontos do país.

E para completar, a consciência política no combate ao coronavírus com unidade nacional deu lugar a uma disputa política pelo coronavírus sem precedentes nos quatro cantos deste país, inclusive em Mato Grosso. Uma vergonha mundial!

É preciso dar um basta aos aventureiros e demagogos, às promessas de campanha não cumpridas

Mas existem pessoas que se preocupam com a coletividade, que se entregam à causa de salvar vidas. Muitos são voluntários, incansáveis, que distribuem comida para moradores de rua, que prestam serviços assistenciais e viabilizam ajuda de todo tipo para salvar vidas.


Esse é o Brasil patriota que temos que nos orgulhar. O do fazer política para servir e não para ser servido.

Um belo exemplo de maturidade política é o Movimento Pró VLT, lançado em 30 de maio de 2019, pela retomada imediata das obras em Cuiabá e Várzea Grande. É um movimento cívico e suprapartidário que defende a conclusão das obras com total transparência e sem corrupção.

Ao longo desse período, foram realizadas inúmeras reuniões com entidades das mais representativas de Mato Grosso, seminários, debates, audiências em Brasília e tomadas outras providências que forçaram a criação do Grupo de Trabalho (GT) para desenvolver estudos de viabilidade do VLT e emitir o relatório final. Isso é o que chamamos de Boa Política. A defesa de causas.

A imagem do VLT não pode continuar sendo do símbolo da incompetência administrativa, da ignorância e da corrupção. Cuiabá e Várzea Grande não podem ser conhecidas como um cemitério de incompetentes.

Ao invés do anticartão postal e o caos no transporte público atual, a população cuiabana deseja uma revolução na mobilidade urbana, como aconteceu em 388 cidades no mundo. Os veículos poluentes movidos a combustível fóssil estão com os dias contados. No Estado da Califórnia, nos EUA, todos os veículos a diesel estarão proibidos a partir de 2045. A tendência mundial é proteger o meio ambiente e a saúde da população. O VLT tornou-se prioridade.

Uma coisa é certa. O político mal intencionado está com os seus dias contados. As redes sociais constituem um instrumento poderoso para qualquer cidadão se manifestar, acompanhar, denunciar os abusos de um administrador público. Se ontem o “tapinha nas costas”, as promessas não cumpridas reelegiam políticos, hoje, a honestidade, amor aos princípios, fazer política com ética falam mais alto. Ainda não com todo mundo, mas estamos caminhando para chegar lá.

Uma das maneiras de se combater a corrupção e a péssima política é verificar a transparência dos atos de cada um, na busca da verdade sempre. Conforme a campanha que um determinado candidato faz, o resultado da sua atuação será sabido. Já dizia o filósofo Demóstenes, da Grécia Antiga: “O caráter de um homem faz o seu destino”.

A política com ódio tem que ser desprezada. Afinal, somos um país cristão de verdade ou não? O político que deseja se enriquecer é melhor buscar outro caminho da iniciativa privada, não é feio ganhar dinheiro como empresário. Feio é roubar, enganar, trair a população. Chegou a hora de fazer em todos os cantos a Boa Política.

Campanhas como a que a OAB e a Igreja Católica promoveram anos atrás contra a corrupção eleitoral devem ser repetidas e incentivadas. A promoção da educação pelos movimentos sociais, igrejas, associações e sindicatos deve ser feita como um serviço cívico de formação de consciências cidadãs. Os partidos políticos recebem recursos públicos para isso, mas nem todos usam de acordo.

Em breve teremos novas eleições, espero que desta vez em diante, o comportamento e as propostas dos candidatos seja assunto debatido nos lares e em todos os ambientes familiares, pensando no bem maior de todos e não no toma lá, dá cá.

 

Vicente Vuolo é economista, cientista político.


Fonte: Brasil Notícia

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