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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020, 09h:58

ELEIÇÃO SUPLEMENTAR

“Minha candidatura é definitiva, não é negociável”, avisa Otaviano Pivetta

Disposto a concorrer ao Senado, o vice-governador do PDT prepara-se para uma campanha acirrada em que os principais concorrentes estão no mesmo campo ideológico que ele

Redação

REDAÇÃO

O empresário do agronegócio e vice-governador de Mato Grosso Otaviano Pivetta, filiado ao PDT, é taxativo: sua candidatura ao Senado da República não está na mesa para acordos. Com uma trajetória de vida e política marcante, Pivetta ocupa no cenário político de Mato Grosso uma posição ímpar, pois é ao mesmo tempo uma referência forte para a elite econômica e um modelo inspirador para as classes populares.

Filho de um caminhoneiro e de uma professora, Otaviano Pivetta integrou as primeiras levas de migrantes do Rio Grande do Sul no processo de colonização do chamado “Nortão” de Mato Grosso no início dos anos 80. Trabalhando inicialmente como caminhoneiro e depois como agricultor em Lucas do Rio Verde, construiu ao longo das últimas três décadas e meia uma das maiores fortunas do estado. No caminho, foi o prefeito que surpreendeu a todos com uma invejável competência e habilidade política e que lançou as bases estruturais e estruturantes que fez de Lucas do Rio Verde um dos municípios mais desenvolvidos e ricos do estado, com um dos maiores IDHs do país o que o torna um dos 10 melhores lugares no Brasil para se viver.

Além de prefeito por três mandatos em Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta foi ainda deputado estadual e agora ocupa a vice governadoria do Estado. Com este perfil e histórico, Pivetta desponta como um dos mais fortes nomes para a disputa à cadeira aberta no senado com a cassação por crime eleitoral da ex-juíza Selma Arruda (PSL).

Sua liderança incontestável e força eleitoral vem colocando em posição subalterna nomes como os do também empresário do agronegócio Carlos Fávaro (PSD), do ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB), de Gisela Simona (PROS) e até do veterano Júlio Campos (DEM), por exemplo, todos pré-candidatos ao senado e integrantes coligação que elegeu o atual grupo que comanda Governo do Estado.  

Nesta entrevista exclusiva ao Brasil Notícias, Pivetta fala o que pensa sobre aliados e adversários e o que pretende realizar como Senador da República caso vença as eleições extraordinárias de 26 de Abril.

Brasil NotíciasVice-governador, a sua candidatura ao senado é uma situação posta ou ainda está sujeita à um recuo negociado com outras forças da base governista?

Otaviano Pivetta: Não há como reverter minha candidatura. É uma decisão de um cidadão que tem sonhos, que se considera apto a representar bem a sociedade mato-grossense e por isso, é ainda uma pré-candidatura em função dos prazos legais, mas que eu não penso em recuar em nenhuma hipótese. Eu tenho boas propostas a apresentar à sociedade e tenho a convicção de que minha eleição ao Senado da República será muito benéfica para Mato Grosso e para o país.

BRN A candidatura, naturalmente, não é uma postulação exclusivamente pessoal, é uma condição que depende de vários fatores combinados e entendimento com grupos sociais e políticos. O senhor é ligado ao agronegócio, um grupo de grande força e poder político e econômico. Isso foi decisivo para sua postulação?

OP – O fato de eu ser empresário do agronegócio, na verdade não pesou em nada na minha decisão de disputar essa eleição para o Senado. Isso tem a ver com minha trajetória política, com uma decisão do meu partido, o PDT, que me estimulou. É uma oportunidade que não estava no horizonte do cenário político imediato. É uma eleição extemporânea e eu me senti motivado pelas circunstâncias e pelos correligionários a ocupar uma outra posição que poderá permitir que eu contribua de forma mais ampla com o desenvolvimento de Mato Grosso e do Brasil do que estou contribuindo no momento como vice-governador.

BRNO ex-vice governador Carlos Fávaro também se coloca como candidato ao Senador, inclusive, deve assumir provisoriamente a vaga da ex-juíza Selma Arruda por decisão do STF. Como ambos atuam politicamente no mesmo espectro eleitoral e social-econômico, não há riscos de uma divisão de votos levar os dois à derrota nas urnas ou há possibilidade de um entendido no grupo para apenas um ser o candidato?

OP – Eu não sei quais são as intenções verdadeiras desse senhor que você mencionou. Eu sei das minhas. Eu estou construindo a minha candidatura. E não vejo nenhum problema em ter vários candidatos na base de apoio do governo. Acho até bom para que a sociedade possa optar. Quanto mais candidatos, mais opções e certamente é mais democrático.

BRN – Quais serão as bandeiras que o senhor pretende defender no Senado caso seja eleito?

OP – As principais são as reformas que o Brasil precisa e que já vem tarde para o país como a Reforma Tributária, Administrativa, Pacto Federativo, fim dos privilégios como o foro privilegiado, que tem acabar isso de ter tanta gente revestidas pelo manto da impunidade. No máximo, foro privilegiado deve ser concedido apenas aos presidentes dos três poderes. Sou a favor também do fim da estabilidade no serviço público, defendo a manutenção do direito adquirido, mas o fim desse instituto que engessa a gestão e inviabiliza a gestão.

BRNO partido ao qual o senhor é filiado, o PDT, é um defensor estatutário da CLT de Getúlio Vargas e dos princípios trabalhistas. Mas, o senhor fala em reduzir direitos dos trabalhadores. Como o senhor explica esse paradoxo programático entre o estatuto do PDT e suas ideias ultraliberais?

OP – Entendo que devemos fazer uma opção: ou a gente fica com todos os direitos intactos e sem emprego, ou a gente gera desenvolvimento econômico, emprego e renda com menos direitos formais. Alinhado, aliás, com o mundo desenvolvido de hoje. Não sou a favor da geração de emprego pelo e no estado. O estado precisa ser protagonista na segurança, na educação, saúde e estimulador da infraestrutura. As demais atividades que a sociedade precisa existe em oferta pela iniciativa privada. E custa mais barato do que se forem realizadas pelo estado, pelo poder público. Estes 36% que pagamos em impostos no Brasil nós não recebemos um terço disso em serviços. Toda esta riqueza que vai para o estado, especialmente para Brasília, ela se perde pela a má qualidade do gasto, a ineficiência da gestão, obras mal dimensionadas, mal planejadas, mal executadas e abandonadas. Temos que diminuir a participação do estado naquilo que não é prioridade, não essencialmente estruturante e social.

O estado deve ficar só com o que é básico e fazer bem feito. Não entendo que haja conflito entre ou que eu penso e o que está consignado no estatuto do meu partido. A diferença é apenas na forma de se alcançar os mesmos objetivos. Temos que diminuir a atuação do estado naquilo que é supérfluo. Entendo que a geração de desenvolvimento econômico e de empregos – que interessa a todo mundo, empresários e trabalhadores - é tarefa da iniciativa privada e não do estado. Tem que acabar com a ingenuidade, a hipocrisia, de que empresário gera empregos. Não gera.

O empresário só faz investimentos se não for para obter lucros. As empresas nascem, crescem e reinvestem por causa do lucro. Quero dizer com isso que os empresários não fazem nenhum favor quando investem e criam novos e mais empregos. Ninguém é bonzinho assim. Todo mundo quer é mais lucro. O empresário precisa do trabalhador para tocar seu negócio, gerar movimento econômico e consequentemente contabilizar o lucro. E o trabalhador precisa do empresário para criar as condições para que ele possa ganhar também o seu sustento e tirar o lucro do seu trabalho em melhores condições de vida para si e sua família.   Por isso que o estado tem que existir e ser forte. Mas, forte não significa ser grande. Estado tem é que ter energia e ser rico para poder prover os serviços básicos nestas quatro áreas fundamentais: segurança, educação, saúde e infraestrutura. E só isso.

BRNA eleição passada foi muito ideologizada, com uma disputa acirrada entre a esquerda e a direita. O senhor acredita que nesta eleição suplementar ao Senado em Mato Grosso as questões ideológicas terão peso na decisão dos eleitores?

OP – Acho que sim. As questões ideológicas vão influenciar sim a eleição. Mas, eu sou pragmático. Sempre fui. Mesmo a história e ação na vida pública foram sempre voltadas para o verdadeiro papel do setor. Estive prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos, meu irmão também é prefeito em Nova Mutum e só ir nestas cidades para perceber que a atenção do Poder Público é focada integralmente nas áreas básicas e essenciais para a população e para dar sustentabilidade para o desenvolvimento econômico. Eu não sei se a esquerda ou a direita política tem intenção de cuidar disso. Pessoalmente, acho que o capital social deve ser produzido pelos entes de governo público nas três esferas. Não é o empresário. O empresário gera movimento econômico, paga imposto, salários. O estado é que tem que gerar o capital social, o bem-estar para a população prestando bons serviços em educação, saúde, segurança, infraestrutura.

BRN-Este ano terá eleições municipais também. E elas são importantes e influeciarão a eleição suplementar ao Senado. Como o senhor avalia as condições do seu partido para as eleições para as prefeituras em Mato Grosso?

OP – Minha atuação dentro do partido é muito pequena. Sempre fui muito transparente e claro com o diretório estadual de que eu ajudaria e participaria do processo político, mas que eu não atuaria partidariamente nas bases eleitorais porque estou vice-governador. Ajudo a coordenar duas secretárias importantes e muito complexas do estado, a Seduc (Secretaria Estadual de Educação e Esporte) e a Sinfra (Secretaria de Infraestrutura) o que é muito trabalho. Quem pode falar melhor sobre a participação do PDT nas eleições municipais é op presidente regional do partido, o secretário de cultura, Alan Kardec Benitez.

BRN – Algumas questões jurídicas em aberto no caso da vacância da cadeira da ex-juíza Selma Arruda deixa o cenário ainda nebuloso. Como o senhor avalia esse quadro jurídico em torno desta eleição suplementar?

OP – Olha, primeiro eu lamento que a senadora Selma Arruda tenha sido cassada, e ainda no seu ano de mandato, da forma e pelas razões que foram. Eu penso que foi uma perda para Mato Grosso e para o Brasil. Estamos todos aguardando a decisão da Mesa do Senado, do STF sobre os recursos que foram apresentados no processo. Enquanto isso, a gente vai se preparando, pois acreditamos que seja irreversível a realização da nova eleição.

BRN – O senhor tem feito articulações nesse sentido...

OP – Tenho recebido visitas de vários atores e lideranças e também com pretensos candidatos. No entanto, não tenho feito nenhum movimento ou esforço para estimular desistências ou encaminhar acordos. Acho legitima a manifestação e disposição de cada um de ser candidato. O que vai definir no fim das contas, é o eleitor que dará a palavra final. Até lá, vejo que tem muitos sonhos, muitas ilusões. E cada um corre atrás para realizar o seu.     

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