Domingo, 08 de Dezembro de 2019

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Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019, 17h:40

OBSTRUÇÕES NA GRAMPOLÂNDIA

Já se passaram 4 anos; há crimes que podem estar prescritos

Fonte: Mídia News

Divulgação

A delegada Ana Cristina Feldner reforçou a importância de dar celeridade às investigações referentes ao esquema de interceptações telefônicas clandestinas ocorrido entre os anos de 2014 e 2015 em Mato Grosso, conhecido como Grampolândia Pantaneira. 

Segundo a delegada, já se passaram quatro anos desde o relato do primeiro crime possivelmente praticado pela organização criminosa e, por isso, algumas tipificações podem até estar prescritas.

 

Feldner acusa o ex-secretário de Estado de Segurança Pública, delegado aposentado Rogers Jarbas, de causar embaraço às investigações, retardando sua conclusão.

Ela e a também delegada Jannira Laranjeira comandam a força-tarefa responsável pelos inquéritos criminais relativos ao caso. 

“É uma organização criminosa que tinha fins inescrupulosos e que precisa ser tudo esclarecido o mais breve possível. Nós precisamos lembrar que isso começou em 2015, quando houve a denúncia do então secretário de Segurança Pública Mauro Zaque. Já se passaram quatro anos. Há crimes que podem já estar prescritos e que hoje é inaceitável qualquer tipo de ação de obstrução”, disse Feldner.

 

ós precisamos lembrar que isso começou em 2015, quando houve a denúncia do então secretário de segurança pública Mauro Zaque. Já se passaram quatro anos. Há crimes que podem já estar prescritos e que hoje é inaceitável qualquer tipo de ação de obstrução

A delegada se refere a possíveis crimes aos quais a organização criminosa possa ter pratica, como “prevaricação”, que é quando o servidor público deixa de praticar ou praticar indevidamente ato de ofício. A pena para esse tipo de crime é de detenção, de três meses a um ano.

“Crimes que são de menor potencial ofensivo como de organização criminosa e interceptações estão bem distantes da prescrição. Mas alguns crimes com penas menores, como prevaricação - que tem prescrição em um prazo bem menor - pode-se correr o risco”, afirmou a delegada.

Atrapalhando as investigações

 

Recentemente, as delegadas pediram ao juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, a prisão de Rogers Jarbas por atrapalhar as investigações. O juiz negou o pedido, mas submeteu Rogers a medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo Feldner, entre as diversas ações que visavam embaraçar as investigações, Jarbas peticionou cerca de 2 mil páginas que nada contribuíam ao processo. 

Rogers foi ao Fórum na segunda-feira (19) para colocação da tornozeleira eletrônica. Lá se limitou a dizer à imprensa que "a verdade virá a tona".

Feldner, ao ser questionada sobre a frase dita pelo delegado aposentado, afirmou que não há possibilidade de perseguição dentro das investigações da Polícia Civil.

“É tão difícil porque não sou psicóloga, nem psiquiatra, eu sou delegada. E como delegada, o que estou trabalhando é para que toda verdade venha à tona. Esse é o objetivo da investigação e acredito que é o que toda sociedade espera e eu acredito que será feita o mais breve possível”, disse.

Denúncia dos Grampos

 

Segundo as investigações, o então secretário Mauro Zaque teria levado a denúncia ao conhecimento do então governador Pedro Taques em setembro de 2015. 

A denúncia sobre o esquema de grampos, no entanto, só foi feita no início de 2017, ao Ministério Público Federal (MPF), por Zaque. À época, o promotor disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos que evidenciavam a prática ilegal.

“Nós estamos lidando com uma organização criminosa que rompeu com todo o aceitável para poder se perpetuar no poder. Se isso tivesse dado certo, eu não sei qual estado de democracia o Estado de Mato Grosso estaria hoje”, afirmou.

“Jornalistas, funcionários públicos e qualquer outra pessoa que se insurgisse contra questões políticas, com certeza seriam perseguidos. O poder público não está para perseguir. Pelo contrário, está para servir à sociedade”, completou.

O esquema funcionava por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça. 

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