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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020, 08h:52

Motim dos policiais

Encapuzados fecham batalhão de elite da PM no Ceará e esvaziam pneus de veículos

Unidade foi responsável pela transferência do senador Cid Gomes para Fortaleza. Ceará enfrenta uma paralisação de policiais militares que reivindicam aumento salarial.

Um grupo de homens encapuzados fechou a base da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) na madrugada desta sexta-feira (21) no município de Sobral, na Região do Cariri, interior do Ceará. Segundo o coronel Colares, comandante do 3º Batalhão de Policiamento de Sobral, os homens secaram os pneus de carros e motos da polícia que estavam na unidade.

O local é de onde o senador Cid Gomes foi transferido para Fortaleza após ser baleado durante um protesto de policiais na cidade. Além da Ciopaer, a unidade também abriga o Batalhão de Policiamento de Rondas Intensivas e Ostensivas (BPRaio), considerado um dos batalhões de elite da PM.

Agentes que se identificaram como policiais do BPRaio também aderiram ao movimento. Apesar do fechamento do batalhão, carros da PM circulam em um número reduzido no município e o comércio no Centro da cidade funciona normalmente nesta sexta.

O Ceará enfrenta, desde terça-feira (18), uma paralisação de policiais militares que reivindicam aumento salarial. Batalhões da PM já haviam sido fechados por homens encapuzados em Fortaleza e Região Metropolitana. Estado recebeu apoio de agentes da Força Nacional, Forças Armadas, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Federal.

O grupo encapuzado chegou ao local durante a madrugada e permanece até a manhã desta sexta-feira. Pelo menos 15 motos e 20 carros da polícia tiveram os pneus esvaziados. Não houve conflitos, segundo um policial ouvido pelo G1.

Alguns encapuzados se identificaram como policiais que participam das reivindicações por melhoria salarial para a categoria. Os agentes de segurança disseram que devem "permanecer aquartelados" na unidade até que ocorra algum acordo com o governo do Ceará.

Além de homens que se identificam como policiais, mulheres e familiares dos agentes também entraram na sede da companhia que abriga a Ciopaer e o BPRaio. O grupo levou alimentos para dentro da unidade onde devem permanecer em protesto, conforme os participantes.

 

Motim dos policiais
O Ceará continua com a paralisação de parte da categoria policial. Nesta quinta-feira (21), após reunião entre representantes dos policiais e comissão de senadores, policiais militares que participam de um motim no Ceará decidiram recusar proposta do governo para chegar a um acordo do fim da paralisação.

Os representantes dos policiais decidiram manter a paralisação após o representante da categoria, o ex-deputado federal Cabo Sabino, informar as propostas do governo.

“Nós vamos continuar aqui [no quartel] com a decisão da maioria da categoria e nós só estamos aqui para obedecer o que a maioria decidiu”, disse Sabino.
Força Nacional reforça segurança no Ceará durante greve de PMs

"Ele (o governo do Ceará) diz que até 7h da manhã, quem sair aqui do movimento, quem já está identificado não tem anistia. Quem não estiver identificado eles não vão atrás, mas não garante nada. Aqueles que estão respondendo IPM (Inquérito Policial Militar) vão continuar respondendo. Aqueles que foram identificados não tem anistia, não tem nada disso. E os que não foram identificados até 7h, não vão atrás de identificar", declarou Sabino.

Como resposta, os manifestantes fizeram coro com gritos de "eu não vou embora" e “não vai ter carnaval”.

Resumo:
Em 5 de dezembro, policiais e bombeiros militares organizaram um ato reivindicando melhoria salarial. Por lei, policiais militares são proibidos de fazer greve.

Em 31 de janeiro, o governo anunciou um pacote de reajuste para soldados.

Em 6 de fevereiro, data em que a proposta seria levada à Assembleia Legislativa do estado, policiais e bombeiros promoveram uma manifestação pedindo aumento superior ao sugerido.

Em 13 de fevereiro, o governo elevou a proposta de reajuste e anunciou acordo com os agentes de segurança. Um grupo dissidente, no entanto, ficou insatisfeito com o pacote oferecido.

Em 14 de fevereiro, o Ministério Público do Ceará (MPCE) recomendou ao comando da Polícia Militar do Ceará que impedisse agentes de promover manifestações.

Em 17 de fevereiro, a Justiça manteve a decisão sobre possibilidade de prisão de policiais em caso de manifestações.

Em 18 de fevereiro, três policiais foram presos em Fortaleza por cercar um veículo da PM e esvaziar os pneus. À noite, homens murcharam pneus de veículos de um batalhão na Região Metropolitana.
Em 19 de fevereiro, batalhões da Polícia Militar do Ceará foram atacados. O senador Cid Gomes foi baleado em um protesto de policiais amotinados.

 

Reivindicação salarial e motim
Policiais que se dizem insatisfeitos com a proposta de reajuste salarial da categoria realizam movimentos paredistas para impedir o trabalho dos demais policiais, conforme a Secretaria da Segurança Pública.

Em um momento crítico da crise, o senador licenciado Cid Gomes foi baleado no peito quando tentou entrar com uma retroescavadeira em um batalhão onde policiais estavam amotinados em Sobral. Cid recebe atendimento em hospital particular de Fortaleza e não corre risco de morrer, conforme familiares.

Na terça-feira (18), três policiais foram presos suspeitos de furarem pneus de carros da Polícia Militar. No terceiro dia de motim dos policiais, pelo menos cinco batalhões da PM foram invadidos e tiveram os pneus esvaziados ou rasgados.

A proposta do governo é aumentar o salário de um soldado da PM dos atuais R$ 3,2 mil para R$ 4,5 mil, em aumentos progressivos até 2022. O grupo de policiais que realiza as manifestações reivindica que o aumento para R$ 4,5 mil seja implementado já neste ano.

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