Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020

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Segunda-feira, 01 de Junho de 2020, 09h:31

SANITIZAÇÃO

Empresa é acusada de utilizar produto inadequado

Sócio proprietário da KS Controle de Pragas contesta, diz que produto é legal, mas que por orientação da Anvisa não mais utilizará o Combacter 800

Valdemar Félix

Os prédios públicos do Executivo estadual vêm passando pelo processo de sanitização e desinfecção de ambientes. O trabalho está a cargo da empresa KS Controle de Pragas, que firmou contrato com a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). Porém, o que deveria ser uma ação preventiva, acabou por causar risco à saúde daqueles que frequentam esses locais.

Denúncia que chegou à redação do Notícia Max dá conta de que a empresa estaria utilizando equipamentos e produtos inadequados para o serviço. Em uma matéria divulgada pelo próprio Gabinete de Comunicação do Governo Estadual, é possível ver a utilização de máquina que não realiza nebulização, pois são pulverizadores, que não devem de modo algum ser utilizadas em ambientes internos, principalmente escritórios.

Elas produzem micropartículas grandes (mais de 30 mícrons) e em excesso causam diversos tipos de danos, sendo que a máquina correta indicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) faz a nebulização à frio e produz 10 mícrons, por isso não sendo indicadas para áreas fechadas e ambientes internos.

Anvisa informou que o produto não está registrado na Anvisa para o uso em desinfecção e sanitização de ambientes

Outra irregularidade encontrada no serviço desenvolvido pela KS Controle de Pragas é a utilização do produto Combacter 800, que somente pode ser utilizado em indústria alimentícia.

Sócio proprietário da KS, Caian Lima de Menezes afirmou, em entrevista ao Notícia Max, que a o serviço utilizando pulverizadores é feito dentro da legalidade, exemplificando que o Corpo de Bombeiros também estão utilizando esse equipamento, mas que a empresa está também realizando a nebulização interna e a atomização com motor.

“Isso está dentro do protocolo que a Anvisa determina”, frisou, destacando que está quaternário de amônia, o Combacter 800, para fazer o trabalho de desinfecção e sanitização. Pelo serviço, diz Caian, a empresa não dá garantias, pois o coronavírus é novo e não tem produto específico para o tratamento dos ambientes.

“Os produtos que estão sendo utilizados são os bactericidas e os virucidas, que são os produtos que atingem os micro-organismos. Então o quartenário está dentro do critério técnico da Anvisa como produto indicado para ser utilizado”, disse o empresário, ressaltando que os funcionários utilizam todos os equipamentos de proteção.

“A Anvisa coloca na nota técnica dela que o produto tem que ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e o meu registro está válido, o Combacter 800 tem registro válido lá”, pontuou o empresário.

Porém, diferente do informado pelo sócio proprietário da KS Controle de Pragas, o Combacter 800 não é indicado para esse tipo de serviço. Por meio da assessoria, a Anvisa informou que o produto não está registrado na Anvisa para o uso em desinfecção e sanitização de ambientes.

“Quaternários de amônio: podem causar irritação na pele e nas vias respiratórias. As pessoas expostas podem desenvolver ameaças alérgicas”, diz a Anvisa.

A Secretaria de Estado de Saúde também foi procurada pela reportagem para se posicionar quanto à utilização do Combacter 800 no serviço que vem sendo desenvolvido pela KS Controle de Pragas na desinfecção e sanitização dos prédios públicos. Por meio da sua assessoria, limitou-se a dizer que “no momento, a Vigilância Sanitária não tem um posicionamento, pois possui informações oficiais”.

Caian Lima de Menezes que fez uma consulta na central da Anvisa, que apontou que o Combacter 800 tem eficácia, entretanto, a Anvisa teria informado que não tem tempo nesse momento para analisar especificamente esse produto, que tem registro e está ativo, e que o princípio ativo está dentro da nota técnica que foi colocada, mas como não haveria tempo para analisar o produto, sugeriram que trocasse por um outro que está na lista dos 3.700 produtos que eles têm registrados.

“Eles colocaram que não dá tempo de analisarem a recomendação de um único produto, então estou substituindo por um outro. Vou refazer o trabalho em todos os locais, não recebi nada ainda pelos serviços, não emiti nenhuma nota fiscal, e vou refazer todos os locais, não porque o produto não funciona, pois funciona muito bem, pois o princípio dele está dentro da nota técnica, mas vou refazer sem custo nenhum em todos os locais”, pontuou.

Responsável pela contratação da empresa, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão por meio de nota, esclarece que os trabalhos de sanitização e desinfecção estão sendo realizados através de uma parceria firmada com o Tribunal Regional do Trabalho 23ª região e Ministério Público do Trabalho (MPT), e que o projeto apresentado foi aprovado pelo Comitê Interinstitucional Gestor de Ações Afirmativas, composto por representantes do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, do Ministério Público do Trabalho/Procuradoria Regional do Trabalho da 23ª Região e da Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional de Mato Grosso.

Na nota, é informado ainda que a empresa apresentou todos os atestados de capacidade técnica exigidos e que o pagamento dos serviços prestados será realizado pelo TRT. Além disso, frisa que a empresa utiliza equipamentos de linha profissional, específicos para a realização deste tipo de serviço.

CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA DA SEPLAG
Nota sobre sanitização e desinfecção
A Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) informa que a sanitização e desinfecção dos órgãos e entidades do Executivo estão sendo realizadas através de uma parceria firmada com o Tribunal Regional do Trabalho 23ª região e Ministério Público do Trabalho (MPT).

O projeto apresentado pela Seplag foi aprovado pelo Comitê Interinstitucional Gestor de Ações Afirmativas, composto por representantes do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, do Ministério Público do Trabalho/Procuradoria Regional do Trabalho da 23ª Região e da Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional de Mato Grosso.

Após aprovação e formalização da parceria, foi contratada inicialmente a empresa que ofereceu o menor preço para a realização dos serviços em consonância com os princípios da vantajosidade. Informamos ainda que a empresa apresentou todos os atestados de capacidade técnica exigidos por lei e que ainda não foi realizado nenhum pagamento dos serviços prestados e que o mesmo serárealizado pelo TRT.

A Secretaria informa que o produto utilizado inicialmente (à base de quaternário de amônio) com registro na Anvisa, é indicado para uso na indústria alimentícia e afins, não havendo qualquer restrição em ser utilizado em outros tipos de ambiente. Entretanto, existem outros produtos com classificação para utilização em ambientes gerais, chegando a cerca de 3.700 mil produtos indicados. Tendo isso em vista, a empresa já está realizando um reforço na aplicação em todos os órgãos com outro saneante que também atende essas exigências normativas da Anvisa.

Com relação aos equipamentos utilizados para execução dos serviços de sanitização, a KS Solução Ambiental está dentro dos padrões exigidos pela Anvisa. Ela utilizapulverizadores elétricos ULV (volume ultra baixo) e atomizadores motorizados UBV (ultra baixo volume).

Esses equipamentos são de linha profissional, específicos para a realização deste tipo de serviço, pois através de seu processo de fabricação de precisão pulverizam partículas muito finas de volume ultra baixo no ambiente, sem riscos de danificar equipamentos, documentos e afins.

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