Domingo, 08 de Dezembro de 2019

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Quarta-feira, 04 de Dezembro de 2019, 08h:28

Emanuel se defende

Emanuel diz montar quebra-cabeças e prevê escândalo maior que Grampolândia em MT

Prefeito diz que, aos poucos, "máscaras" de quem o denunciou estão caindo

Folha Max

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) resolveu manter sua cruzada contra o que considera uma perseguição à sua pessoa perpetrada por forças políticas contrárias à sua administração desde o pedido de investigação feito na Assembleia Legislativa e — mais recentemente e no entendimento dele — no suposto uso da Defaz (Delegacia Especializada em Combate a Crimes Fazendários) com esse objetivo. “Se confirmada a gravidade dos fatos elencados, será algo muito maior do que a Grampolândia Pantaneira”, disse o prefeito em entrevista, durante a tarde desta segunda-feira (2)

Na escalada do discurso, chegou a falar em um escândalo de proporções nacionais, nos níveis do formado em torno das escutas ilegais supostamente promovidas pela Polícia Militar a mando do Palácio Paiaguás na gestão passada. “Quando fiz o encontro dos fatos, fui montando o quebra-cabeças, vendo a necessidade de não prevaricar, tomei a medida correta e estou pedindo que se apure”, seguiu o prefeito.

Provocado a especificar sobre o que estava falando, o prefeito acabou entregando que falava sim dos dois delegados da Defaz — Lindomar Tofoli e Anderson Veiga. Como não teriam aceitado pactuar o malfeito, teriam pedido afastamento de onde estavam lotados. “Já fiz o protocolo da denúncia, mas é exatamente tudo que saiu na mídia hoje”, disse.

A trama denunciada pelo prefeito tem origem a partir da confecção de um boletim de ocorrência registrado pela servidora do Hospital São Benedito, Elizabete Maria de Almeida, de suposta compra de votos do prefeito para cassar o mandato do vereador Abílio Junior (PSC). Ela teria presenciado o esquema numa reunião na casa do vereador Juca do Guaraná Filho (Avante).

Em suas análises, os delegados alegaram que não abririam inquérito por falta de elementos mínimos para sua instauração. Poucos dias depois, teriam sido instados por seus superiores a prejudicar o prefeito. Como eles não acataram a ordem, acabaram afastados.

“A Delegacia Fazendária estaria, segundo a denúncia, supostamente, através do delegado geral [Mário Demerval], coagindo alguns delegados, que já foram citados, por isso não vou falar — até porque só quero falar se for convidado na Assembleia —, para que pudessem me prejudicar, atingir minha vida pública e me destruir”, continuou Emanuel, chamando a servidora de “mulher sem qualquer nexo”, mentirosa e participante de uma “farsa montada” pela qual agora ele exige investigação.

O prefeito contou também que a primeira coisa que pensou foi em denunciar tudo ao titular da Sesp (Secretaria de Estado de Segurança Pública), Alexandre Bustamante, mas depois entendeu que seria melhor que os ex-colegas deputados estaduais investigassem o caso, pois teriam maior acesso aos órgãos governamentais  que estivessem eventualmente aparelhados para ataques políticos ao invés de prontos ao usufruto da população de Mato Grosso. “Tenho maior o respeito pela Defaz e todos os seus membros, delegados e agentes, mas é uma denúncia grave que precisa ser apurada, porque isso culminaria com o afastamento de um ou dois delegados porque eles não concordaram em compactuar com esse plano para me destruir, me prejudicar e prejudicar minha gestão. Além disso, há muita denúncia, se for o caso, para ser ouvida. Se confirmada, veja bem, eu fiz uma denúncia com base em informações de pessoas idôneas de nossa sociedade; senão, jamais teria feito”, garante.

Emanuel seguiu o discurso indignado e falou que usar esse tipo de artifício contra qualquer pessoa é legitimar uso de violência ilegal contra o estado democrático de direito. “Ele não pode ser usado para abraçar amigos e atacar adversários. Espero que tudo isso seja apurado e é isso que estou pedindo aos deputados da Assembleia Legislativa”.

O prefeito afirma que quer esclarecimentos não só a ele, mas à toda a sociedade. Também negou qualquer reunião não republicana na casa de Juca do Guaraná Filho. “Teve reunião como sempre tem, e essa senhora não estava lá. A mídia toda já está desmascarando essa farsa e eu quero ir até as últimas consequências. Quero que me ajudem a localizar essa guria, quero que ela fale com a imprensa, ela não estava lá?”, questionou.

Como uma repórter lembra que a denunciante seria da mesma Igreja Assembleia de Deus do vereador Abílio Junior (PSC), ele foi irônico: “pois é, muitas coincidências estão vindo de lá para cá, até se juntar com esse episódio da delegacia”.

Por fim, Emanuel disse que já se reuniu com os deputados na Assembleia e que estes o receberam bem, além de o acolherem em sua indignação pelo que classifica como arbitrariedade no suposto estratagema montado contra ele. Também disse que só trouxe as acusações à tona porque as quer elucidadas em seus menores pedaços e pormenores, pois garante a idoneidade de quem levou as informações até ele.

“Cada uma em um momento diferente, em situações distintas. Todos notaram a coincidência dos fatos que estavam ocorrendo e a armação grosseira, repugnante, baixa e vil dessa senhora. Estamos diante de uma violência à democracia e às liberdades democráticas e numa possível utilização do aparelho estatal para prejudicar uma autoridade pública. Isso que precisamos apurar e quero ir até as últimas consequências. Essa mulher tem que aparecer, tem que falar com a imprensa, tem que mostrar. Ela não falou que tem documento, que tem áudio, que tem vídeos? Mostre aqueles vídeos absurdos. Eu sou o maior interessado que ela prove o que falou, inclusive dizendo que estava presente. Prove, assim como a Assembleia vai buscar a apuração dos fatos”, desafiou.

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