Domingo, 05 de Julho de 2020

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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2020, 09h:00

DESVIOS NA AACC

Delegado vê "desespero" de réu que denunciou PCs, promotores e juízes

Flávio Stringuetta disse que Wiilian César Batista se mostrou envergonhado com acusações e propôs devolução de recursos desviados

Folha Max

O delegado da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT), Flávio Henrique Stringueta, rebateu as acusações de abuso de autoridade que foram imputadas aos também delegados Mário Demerval Aravechia de Resende, Eduardo Botelho e Gerson Vinicius Pereira. A denúncia informal, realizada pelo empresário Willian César Batista de Jesus por meio de um depoimento registrado num cartório do município de Palhoça (SC), aponta uma série de supostas irregularidades na deflagração da operação “Cupititas”, em 2015.

Flávio Stringueta era o delegado titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), que deflagrou a operação. Ele contava em sua equipe com o delegado adjunto Mário Demerval Aravechia de Resende, a época, à frente do inquérito que apurava um suposto desvio de R$ 1,68 milhão na Associação de Amigos da Criança com Câncer de Mato Grosso (AACC-MT). Willian César Batista de Jesus é marido da ex-presidente da instituição, Telen Aparecida da Costa, que também é ré na suposta fraude.

Willian César Batista de Jesus contou em seu depoimento em cartório que foi “coagido” a voltar de Santa Catarina, onde se encontrava a negócios, no dia da deflagração da operação “Cupititas” (17 de dezembro de 2015), pelo delegado Mário Demerval Aravechia. Segundo ele, o servidor público disse por telefone que se ele e a esposa não retornassem a Mato Grosso, iria prender a mãe de Telen. Stringueta, porém, rebateu a acusação dizendo que “acompanhou de perto” as investigações, que segundo ele foram feitas com “prudência”.

“O que tenho a dizer é que a investigação foi conduzida com muita cautela, muita prudência e atingindo o objetivo que deveria”, conta o delegado.

 

O empresário também conta que assim que chegou em Cuiabá teria sido “ameaçado” para confessar os crimes e devolver os supostos recursos desviados da AACC. O delegado, por sua vez, revela que Willian César Batista de Jesus e a esposa apresentaram um comportamento “envergonhado” uma vez que estavam desviando recursos utilizados no tratamento de crianças com câncer e que a iniciativa da confissão, bem como a devolução dos valores, partiu dos próprios réus. “Eles disseram que estavam envergonhados. Partiu deles a iniciativa de devolver os valores. Nem cabe a Polícia Civil discutir esse tipo de coisa [devolução de recursos desviados]”, revelou Stringuetta.

Ainda de acordo com a denúncia, Willian César Batista de Jesus conta que houve a manipulação de extratos bancários para incriminar ele e a esposa, além da decretação de sigilo que, segundo o empresário, foi baixado aos autos para “proteger” os verdadeiros envolvidos no esquema. Já o delegado da PJC esclareceu que os extratos bancários são documentos repassados pelas instituições financeiras – e que por isso não podem ser forjados.

Além disso, conforme Stringueta, o sigilo foi estabelecido para preservar a imagem da AACC e não afastar potenciais doadores da instituição. “A ideia era que não vazasse nada para a imprensa para não manchar a imagem da AACC, afastando doadores. Se há crimes cometidos por pessoas, a instituição não pode pagar”.

Na acusação registrada em cartório, o empresário conta que todo o esquema -  que além de envolver a PJC, supostamente também contou com a atuação da procuradora de Justiça Ana Cristina Bardusco, e também os juízes Marcos Faleiros e Ana Cristina Silva Mendes -, foi elaborado para “proteger” a servidora federal Otília Fernandes Alencastro. Ela consta nos quadros da AACC como uma das diretoras executivas da instituição.

Nesse sentido, o delegado da PJC revelou que o Poder Judiciário determinou a instauração de um inquérito, pela PJC, para investigar Otília Fernandes Alencastro, porém, segundo Stringuetta, ela encontra-se na Espanha.

Flávio Stringueta também enalteceu o trabalho do delegado Mário Demerval Aravechia de Resende, a quem elogiou como um profissional de “comprometimento” e “isenção”. Na avaliação de Stringueta, Willian César Batista de Jesus está “desesperado” frente a iminente sentença que deve ser proferida pelo Poder Judiciário Estadual. O empresário poderá ser alvo de uma denúncia – ou mesmo de ação oriunda do próprio TJ-MT -, sob a acusação de “denunciação caluniosa”. "Queria enaltecer que enquanto ele [o delegado Mário Demerval] foi meu adjunto aqui realizou seu trabalho com maestria, comprometimento e isenção. É injusta a acusação desse sujeito, que está desesperado frente a iminente sentença".  

 

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