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Terça-feira, 12 de Novembro de 2019, 18h:19

GRAMPOLÂNDIA

Delação de ex-secretária não é incluída em ação e depoimento de cabo é adiado em Cuiabá

Folha Max

Divulgação

O juiz da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, adiou a audiência do cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Corrêa Junior – apontado como um dos principais operadores do esquema de interceptações telefônicas ilegais conhecida como “Grampolândia” -, que ocorreria na tarde desta terça-feira (12), na Capital. O ato judicial é parte da operação “Arqueiro”, que apura um esquema de fraudes na antiga Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Setas), na gestão do ex-governador Silval Barbosa.

Gerson Corrêa foi arrolado pela defesa de um dos réus para falar sobre as interceptações telefônicas na operação Arqueiro. Ele teria admitido a prática de “barriga aluguel” na investigação. 

Para justificar o adiamento, o magistrado lembrou que Roseli Barbosa firmou um acordo de colaboração premiada e que nesses depoimentos outras provas deveriam ser juntadas aos autos. Jorge Luiz Tadeu Rodrigues lembrou que as defesas precisam especificar na ação os “casos específicos” que pretendem apontar.

Jorge Luiz Tadeu Rodrigues lembrou que o conteúdo na íntegra ainda não foi juntado pelo Ministério Público ao processo que apura as fraudes investigadas na Setas, por meio da operação “Arqueiro”. “As defesas tem que despontar algum fato ou coisa específica, porque houve uma delação homologada”, lembrou o juiz.

Roseli Barbosa firmou um acordo de colaboração premiada juntamente com o seu marido, o ex-governador Silval Barbosa, com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo foi homologado pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os principais fatos narrados pelo casal que “comandava Mato Grosso”, está o pagamento de propinas a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) como forma de obter o apoio deles no julgamento e análise de contas da gestão Silval pelo órgão. O acordo, porém, foi firmado em meados do ano de 2017 – há quase um ano e meio.

O ex-chefe de Gabinete de Silval, Silvio César Corrêa, também realizou a delação premiada com a PGR. Já em relação a operação "Arqueiro",  o esquema teria ocorrido entre os anos de 2011 e 2014 e causaram um prejuízo de R$ 8 milhões aos cofres públicos estaduais.

A próxima audiência sobre o caso será realizada no dia 27 deste mês.

GRAMPOLÂNDIA

Gerson Côrrea é apontado como o principal operador do “Sentinela”- um sistema de interceptações telefônicas estruturado pela polícia militara a mando de pessoas ligados ao ex-governador Pedro Taques.

Durante as investigações da operação “Arqueiro” também foram realizadas interceptações telefônicas, porém, estes grampos sempre estiveram em volta de polêmicas. Um deles – realizado pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) -, registrou o diálogo entre Silval Barbosa e um dos desembargadores do TJ-MT, Marcos Machado. 

Nenhum dos dois era investigado na ação, o que acabou gerando “mal estar” entre membros do Poder Judiciário e o Ministério Público do Estado (MP-MT), que coordena o Gaeco.

Num dos depoimentos que concedeu a Justiça, o cabo Gerson Corrêa revelou que vários números telefônicos de pessoas ligados a Roseli Barbosa – como de Silval Barbosa, seus filhos e outros -, também foram interceptados. Todos eles foram vítimas da fraude conhecida como “barriga de aluguel”, que consiste no pedido de grampos de pessoas que nada tem a ver com os fatos investigados no inquérito, levando a Justiça a erro.

Corrêa é considerado um dos principais operadores da chamada “Grampolândia”, que quebrou ilegalmente o sigilo telefônico de políticos, empresários, advogados, jornalistas e outras pessoas de “interesse” do grupo político de Pedro Taques a partir de um escritório clandestino, localizado em Cuiabá.

Ainda em relação a operação “Arqueiro”, e o polêmico grampo envolvendo Silval Barbosa e o desembargador Marcos Machado, uma denúncia foi proposta em outubro de 2019 pelo MP-MT contra o então coordenador do Gaeco na época da interceptação, realizada em 2015, o promotor de justiça Marco Aurélio de Castro.

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