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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020, 08h:49

DECISÕES POLÍTICAS

CNJ julga denúncia contra Selma em MT

TARLEY CARVALHO / Estadão Mato Grosso

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) julga nesta tarde de terça-feira (18) a Reclamação Disciplinar que tramita no órgão contra a juíza aposentada e senadora cassada, Selma Arruda. O processo foi interposto após o ex-secretário de Estado de Administração, Francisco Anis Faiad, a acusar de usar a estrutura da magistratura para se promover politicamente. 

 

No caso de condenação, Selma pode ter sua candidatura cassada. A decisão do CNJ, embora tenha caráter técnico, terá grande significância em Mato Grosso.

Selma colocou várias figuras importantes da política na cadeia, preventivamente e por meio de condenações. Até pouco tempo, era vista como uma importante combatente da moralidade e chegou a ser conhecida como a "Moro de Saias", em referência ao ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, que conduziu a Lava Jato na primeira instância, em Curitiba.

E foi assim, com a fama construída sobre o combate à corrupção, que Selma se aposentou e se elegeu senadora em 2018. Apesar de ter sido a mais votada entre os candidatos, com larga vantagem sobre o segundo, o senador Jayme Campos (DEM), ela se viu cassada de forma unânime no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), cujo resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

 

No CNJ, ela corre o risco de sofrer mais uma derrota. Lá, a reclamação foi feita por Faiad ainda no ano de 2017, quando Selma ainda atuava à frente da Sétima Vara.

Esta não é a primeira "treta" entre os dois. Em 2008, Faiad a denunciou ao CNJ sob a acusação de nepotismo, apontando que ela havia contratado seu marido para atuar em seu gabinete. Na época, ela atuava na 6ª Vara Criminal de Várzea Grande. A reclamação de Faiad aborreceu a juíza, que se viu obrigada a afastar o marido das funções.

No ano passado, a Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) acolheu o pedido de Faiad e determinou a suspeição da juíza, anulando todos os seus atos em relação a Faiad. Francisco Faiad foi alvo da Operação Sodoma e acabou tendo prisão preventiva decretada pela magistrada.

O problema, porém, não foi esse, mas os termos utilizados pela juíza para se referir a ele, o "condenando antecipadamente", conforme entendimento do desembargador Pedro Sakamoto, que relatou o processo. À reportagem,  Faiad afirmou que, caso seu pedido não seja deferido e Selma não seja condenada pelo órgão, não pretende recorrer.

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