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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020, 09h:42

RIO DE JANEIRO

Governo do Rio estuda dar desconto na conta da água

Medida beneficiaria quem foi prejudicado pela contaminação por geosmina. Mas decisão depende de acionistas da Cedae

Três semanas depois de a população denunciar a má qualidade da água que tem chegado barrenta ou com forte cheiro e sabor de terra às torneiras, o governo do estado avalia a possibilidade de abatimento na conta d'água dos consumidores afetados. Segundo explicou o secretário da Casa Civil, André Moura, em entrevista ao jornal O DIA, a medida ainda precisará ser aprovada pelo conselho administrativo da companhia.

"Essa questão de abatimento é uma situação que está em análise. Mas não é uma determinação somente do governador. A companhia tem um conselho", explica. 

Moura diz, ainda, que a qualidade da água fornecida pela Cedae pode melhorar a partir de amanhã, quando começará o processo de tratamento com o carvão ativado. Questionado se tal tratamento não levaria semanas para normalizar a qualidade da água, ele nega: "Assim que o sistema entrar em operação, quinta- feira agora", garante. Ele credita o problema a administrações anteriores e diz que havia projetos engavetados há 16 anos.

 

"Éramos a única companhia, sem captação de água corrente, que não tem esses filtros (de carvão). Agora vamos ter. A companhia, por determinação do governador, está trabalhando para apresentar uma proposta de intervenções que possam resolver, fora aquilo que está previsto em investimento nas concessões dos quatro blocos, que resolverá definitivamente o problema de Guandu", diz.

Ainda segundo ele, a previsão de investimento nos quadros de modernização (na estação do rio Guandu) são de R$ 700 milhões.

 

Como funciona o Conselho

Atualmente formado por 11 membros, o Conselho Administrativo da Cedae representa um elo entre acionistas e diretoria-executiva. A primeira reunião do grupo, este ano, está prevista para o dia 30, quando a crise da água deverá ser abordada.

Uma fonte de O DIA explica que o grupo tem maioria de indicados pelo próprio governo, o que facilitaria a aprovação de uma proposta do governador Wilson Witzel. Dos 11 nomes, só quatro não são indicados pelo governo. E as pautas são aprovadas por maioria simples. É o caso de um representante dos acionistas minoritários, dois conselheiros independentes e um quarto conselheiro indicado pelos funcionários.

Agenersa: degustador de água

A Agência Reguladora de Águas do Rio (Agenersa) informou, ontem, que o consumidor não deverá arcar com nenhum valor adicional para o tratamento da água com carvão ativado. A presidência da Agenersa determinou, ainda, que a Cedae informe, em até 5 dias, se possui um degustador de água - profissional capacitado para avaliar a qualidade da água. Caso não tenha, deverá apresentar, em outros 5 dias, as medidas para implementar o serviço.

Ontem, o Ministério Público do Rio de Janeiro pediu que a companhia apresente laudos da água a partir de 2016.

Presidente da Cedae é ouvido

O presidente da Cedae, Hélio Cabral, e outros dois funcionários da companhia, prestaram depoimento, ontem, na Cidade da Polícia, no Jacaré, na Zona Norte.

A delegada Josy Lima, da Delegacia de Defesa de Serviços Delegados (DDSD), está encarregada das investigações, e a hipótese de sabotagem, levantada pelo governador Wilson Witzel, é uma das linhas de investigação.

Após ser ouvido, Cabral afirmou à imprensa que a Cedae é "a maior interessada na apuração dos fatos" e completou, ainda, que recorreu à Polícia Civil sobre a investigação.

"Eu, como cidadão, estou tão interessado quanto vocês, porque eu também bebo e tomo banho com a água da Cedae", disse ele.

À tarde, um grupo de manifestantes fez um ato contra a má qualidade da água diante da sede da empresa, no Centro. A pista lateral da Av. Presidente Vargas foi fechada e o protesto acabou sem incidentes.

 

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