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Terça-feira, 13 de Outubro de 2020, 10h:50

Prefeito de Aquidauana Odilon Alves Ribeiro (PSDB)

Com irmão indiciado na Vostok, prefeito eleva patrimônio em 400% em 4 anos e supera R$ 16 milhões

Fonte: O Jacaré

Divulgação

Odilon e o irmão Zelito dividem um rebanho de 9,7 mil cabeças de gado, conforme declaração à Justiça Eleitoral (Foto: Arquivo)

Irmão do pecuarista Zelito Alves Ribeiro, indiciado pela Polícia Federal na Operação Vostok, o prefeito de Aquidauana, Odilon Alves Ribeiro (PSDB), elevou o patrimônio em 400% em quatro anos. De acordo com a declaração à Justiça Eleitoral, o tucano possui R$ 16,572 milhões neste ano, contra R$ 3,305 milhões declarados em 2016. Quebra do sigilo bancário constatou repasses entre ambos no dia dos pagamentos pelas notas fiscais falsas pela JBS.

Acusado de emitir R$ 1,758 milhões em notas frias no suposto esquema de propina do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), Zelito foi indiciado por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa no inquérito 1.190, concluído em junho deste ano. Ele era coordenador regional do Governo do Estado para a região.

Conforme o delegado Leandro Alves Ribeiro, a suspeita é de que Odilon e Zelito foram ressarcidos por terem doado R$ 500 mil para a campanha de Reinaldo em 2014. A doação é oficial e consta da prestação de contas do tucano. A JBS pagou duas notas para Zelito no dia 19 de setembro e 10 de novembro de 2016. Coincidentemente, nos mesmos dias, o pecuarista transferiu R$ 288 mil para o prefeito.

Zelito ainda teria recebido R$ 693 mil da conta da Buriti Comércio de Carnes, que era administrada pela corretora Carandá, do corretor de gado, José Ricardo Guitti Guímaro, o Polaco. O repasse ocorreu em 2015. Em depoimento à PF, Polaco disse que era proveniente da compra de gado, mas não apresentou notas nem comprovante do negócio, de acordo com o inquérito.

Apesar da perícia ter apontado que as notas fiscais eram falsas, Zelito afirmou ao delegado que entregou o gado nos frigoríficos da JBS em Anastácio, Ponta Porã e Campo Grande. Ele disse que vendeu R$ 4 milhões em bovinos para a companhia.

Candidato à reeleição nas eleições deste ano, Odilon Ribeiro é o favorito e conta com o apoio de nove partidos, que inclui representantes da esquerda e da nova política: Progressistas, DEM, PTB, Podemos, MDB, PSL, PDT, PSB e Solidariedade.

O “milagre” na multiplicação do patrimônio do tucano é impressionante e merece ser estudado por economistas e pesquisadores das mais conceituadas universidades brasileiras. Em 2016, Ribeiro tinha patrimônio de R$ 3,305 milhões, que incluía uma fazenda de R$ 1,5 milhão e R$ 600 mil em espécie guardado em casa.

Neste ano, ele passou a contabilizar R$ 16,572 milhões. Em quatro anos, Ribeiro quintuplicou o patrimônio milionário. Dos 16 itens declarados, dez ele divide com o irmão, Zelito Alves Ribeiro. Isso inclui 9.770 cabeças de gado – 50% do rebanho está avaliado em R$ 14,124 milhões.

Essa proeza de Odilon nos negócios é recente. Entre 2008 e 2016, sem ocupar cargo público, ele conseguiu elevar o patrimônio em apenas 20%. Após a “venda de gado” para a JBS e ocupar o cargo de prefeito, a média de crescimento anual do patrimônio do tucano saltou de 2,5% para 100%.

Veja a evolução do patrimônio de Odilon Ribeiro (PSDB)

Ano Valor 
2008 2.746.480,37
2016 3.305.829,39
2020 16.572.800,89
Fonte: TRE-MS

Os adversários de Odilon são paupérrimos diante da sua fortuna. O candidato a prefeito pelo PT, Cipriano Mendes, declarou possuir apenas R$ 80 mil. Viviane Orro, a Drª Viviane (PSD), declarou R$ 99,9 mil. Ela é esposa do deputado estadual Felipe Orro (PSDB), que já foi prefeito da cidade e tem um patrimônio milionário.

Zelito Alves Ribeiro surgiu em outro escândalo, a gravação exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no qual Polaco aparecia recebendo propina de R$ 30 mil do empresário José Alberto Berger. Na época, ele e o corretor de gado registraram boletim de ocorrência no Garras contra os autores da denúncia.

Reinaldo tem enfatizado que não cometeu nenhuma irregularidade e estranhou a conclusão do inquérito da Polícia Federal. Em 2018, quando houve a deflagração da Operação Vostok, o tucano garantiu que era vítima de armação política.

Confira a nota divulgada em junho pelo governador:

“O governador Reinaldo Azambuja recebeu com estranheza e indignação a conclusão do inquérito. Trata-se de denúncia antiga, baseada em delações premiadas sem qualquer credibilidade e provas, que vêm sofrendo, em casos diversos no País, inúmeros questionamentos judiciais quanto à sua procedência e consistência.

Passados três anos de inquérito tramitando no STJ, não foi possível concluir ou ao menos indicar de que forma o governador teria praticado qualquer tipo de ilícito.

Desde a Operação Vostock, realizada de forma midiática e exorbitante, bem no meio da campanha eleitoral de 2018, não se conseguiu produzir uma única prova de que tenha recebido qualquer tipo de vantagem indevida da JBS.

Neste caso, é importante pontuar que a própria empresa confessou que os termos de acordo para benefícios fiscais do estado não estavam sendo cumpridos e aderiu a programas de recuperação fiscal, bem como efetuou o pagamento de valores devidos a título de imposto, de modo que não houve dano ao Erário, nem tampouco qualquer ato de corrupção praticado.

Com o fim do inquérito, o governador Reinaldo Azambuja entende que, em processo com ampla defesa, demonstrará a improcedência de todas as acusações a ele dirigidas”.

Com apoio de nove partidos, Odilon faz campanha como favorito em Aquidauana (Foto: Divulgação)
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