Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019

Entrevista
Segunda-feira, 12 de Agosto de 2019, 14h:07

Ministra Damares

"Suicídio como problema de saúde: Brasil está em alerta"

Divulgação/TV Brasil

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou que “estamos diante do caos, da epidemia de suicídios” e que o Brasil pode ficar impressionado quando tiver números atualizados do fenômeno. “É possível que a gente se assuste. Que a gente esteja entre os cinco primeiros no mundo em suicídio e automutilação”, avaliou.

O Ministério da Saúde costuma divulgar, em setembro, os números das ocorrências no país, como forma de alertar para o problema. Setembro é o mês mundial de prevenção ao suicídio, assunto que já foi um tabu maior, por falta de informação e preconceito.

Em entrevista à jornalista Roseann Kennedy, no programa Impressões, da TV Brasil, a ministra fez um apelo: "Todos eles que estão se autoflagelando e que estão tentando o suicídio falam que estão com dor na alma. E a gente não pode subestimar isso. Não subestime e, por favor, não recrimine.

Não use essa frase ‘é frescura, quer se aparecer’. Não é! Essa geração está em profundo sofrimento. Nós vamos ter que entender, saber o que está causando esse sofrimento? Essa geração não sabe lidar com conflitos”. 

Veja a entrevista na íntegra 

 

Ela ressaltou, ainda, que há aumento dessas ocorrências entre crianças. “Nós temos registro de crianças de seis anos, no Brasil, que se suicidaram. A menina mais jovem que conversou comigo, que estava se automutilando e querendo se matar, tinha sete anos de idade”, revelou. Os casos também são cada vez mais comuns entre os jovens e o suicídio chega a ser a quarta causa de morte entre pessoas na faixa de 15 e 29 anos.

Damares Alves disse que enfrentar esse tema é um desafio para a humanidade e que o Brasil amarga números absurdos. A cada hora, de quatro pessoas que tentam, uma consegue tirar a própria vida. Essa realidade levou o país a oitava posição no ranking mundial de mortes por suicídio.

Porém, o número de óbitos tende ser maior por causa da subnotificação, o que pode levar o Brasil a ocupar a 5ª posição na lista, segundo a ministra. Com a nova legislação, sancionada este ano, ela lembra que passa a ser obrigatório informar às autoridades qualquer tentativa e ato de suicídio. A automutilação também terá de ser registrada.

A ministra informou que a pasta dos Direitos Humanos segue as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para abordar o assunto, de modo a evitar o efeito contágio. “Vamos terque fazer uma revisão de valores, ir para a escola, conversar com os pais, trazer todo mundo para esse debate.

Temos que ter muito cuidado e delicadeza. Obedecer protocolos. Precisamos começar a alertar os líderes religiosos que a oração é importante, a fé é importante, mas a gente também está diante de uma questão de saúde mental”, frisou. 

Damares alerta para necessidade de identificar e acolher pessoas em risco
Damares chama atenção para necessidade de identificar e acolher pessoas em risco - Divulgação/TV Brasil

Segundo a ministra, já há uma parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria para formar profissionais de saúde e capacitar também jornalistas, blogueiros, professores, conselheiros tutelares e líderes religiosos. 

Como procurar ajuda?

Nove em cada 10 casos o suicídio poderia ser evitado, segundo a OMS. A pessoa em sofrimento precisa buscar ajuda e receber atenção de quem está à sua volta. Demonstrar sensibilidade e dar importância ao sofrimento do outro é fundamental, segundo os especialistas.

Desde 2018, os Centros de Valorização da Vida (CVV) também atendem quem precisa de ajuda. Basta telefonar para o número 188. A ligação é gratuita para todo Brasil.

Acolhimento profissional especializado é feito nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), vinculados ao SUS. De acordo com o Ministério da Saúde, nos locais onde existem Caps, o risco de suicídio reduz em até 14%.

Saiba mais como identificar sinais e agir na página do Ministério da Saúde, aqui.

 
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