Entrevista: Paula Chaves: “psicologia pode ser uma aliada no processo de emagrecimento”

A busca pela perda de peso assombra grande parte de brasileiros. Exercícios físicos, boa alimentação, tratamentos estéticos e cirurgia plástica são exemplos de quantas opções temos para buscar e manter o desejado “corpo magro”. Mas será que é só isso? , Será que não estamos esquecendo algo fundamental para este processo? Para saber mais sobre como nosso psicológico influência completamente no emagrecimento, entrevistamos a psicóloga clínica Paula Chaves, especialista em transtornos alimentares e obesidade.

Brasil Notícia– Como podemos começar a entender o emagrecimento?

Paula Chaves – É muito comum receber pacientes na clínica com a queixa de que já tentaram todos os tipos de tratamentos para emagrecer, entretanto não obtiveram sucesso. O emagrecimento se baseia em três fatores: Reeducação Alimentar, Atividade Física e Equilíbrio Psicológico.Geralmente, as pessoas procuram nutricionistas e médicos especializados, porém esquecem o quanto o fator psicológico está presente na obesidade.

Brasil Notícia– Mas por que a psicoterapia, se a questão do obeso é no corpo?

Paula Chaves – Os fatores psicológicos influenciam, e muito no aumento de peso, sendo que os problemas emocionais podem ser tanto causa quanto consequência da obesidade.

Precisamos entender que comemos não só pela fome, mas também pela emoção, tomar consciência dos nossos padrões de comportamentos, qual é relação do nosso estado emocional com a comida, porque nos sabotamos, etc.

Brasil Notícia– Como a psicologia atua nesse processo de perda de peso?

Paula Chaves  – A comida não é só nutrição, é amor, afeto, carinho, celebração e toda uma série de emoções que podem ser expressas em uma alteração do comportamento alimentar. O tratamento da doença deve ser interdisciplinar – médico, nutricionista, educador físico e psicólogo atuando juntos em função de um único objetivo: emagrecer e permanecer magro. No entanto, a área da psicologia é a mais negligenciada, talvez por ser a menos tangível e a mais recente. Fato é que, sem ela, os resultados costumam ser decepcionantes. No caso do paciente obeso, a psicologia visa identificar quais estímulos, fora a fome, levam-no a comer indevidamente. Ansiedade? Depressão? Estresse? Problemas afetivos? São abordadas uma série de variáveis que não são objeto da medicina e da nutrição. Como está sua imagem corporal? E a autoestima? Ele tem um ganho secundário permanecendo gordo? Quer e não quer emagrecer ao mesmo tempo? Sabe o que fazer, mas não consegue fazer aquilo que sabe que deveria? Auto sabota-se? Tem algum transtorno alimentar, como compulsão, transtorno do comer noturno, bulimia?

Brasil Notícia– Como posso começar esse processo?

Paula Chaves  – Para começar esse processo basta o individuo querer. Ser determinado, ter foco, ter comprometimento, parar de auto sabotar, procurar uma equipe especializada e o principal querer, ter metas realistas, mudar os hábitos para sempre e adotar hábitos saudáveis que não tem data para terminar, é uma mudança dos hábitos que ele tinha, pois se ele quer mudar, é preciso fazer algo diferente do que ele vem fazendo.

Brasil Notícia– Existe algum segredo para que a perda de peso seja algo definitivo ?

Paula Chaves  – A única maneira de emagrecer e não voltar a engordar é modificar de uma vez por todas, sua relação com a comida. Há uma forte relação entre emagrecimento e autoestima. Se o paciente não fizer nada em relação à ansiedade, ao vazio existencial, aos sentimentos de rejeição e abandono, à depressão, raiva reprimida, continuará tendo um campo fértil para a auto sabotagem.É aí que entra o acompanhamento psicológico. O acompanhamento psicológico eficaz, possibilita ao paciente a sua reestruturação emocional, através do desenvolvimento de recursos internos para lidar com seus questionamentos e uma postura mais reflexiva e atuante diante das dificuldades. Essa reorganização emocional é fundamental para a superação de seus conflitos e estabelecimento do equilíbrio psíquico desejado. Além disso, o acompanhamento psicológico auxilia o paciente a controlar e a lidar com mais leveza com os eventos estressores do cotidiano, deixando de usar a comida como refúgio e/ou recompensa.

Brasil Notícia– Existe alguma terapia específica para o tratamento? 

Paula Chaves  – Da parte psicológica, um dos tratamentos fundamentais é a psicoterapia. Não existe uma abordagem especifica para trabalhar com pacientes de transtornos alimentares ou obesos, POREM é preciso que esse psicólogo seja especialista no assunto pois tratar desses pacientes já exige um conhecimento especifico; são pacientes que tem as suas particularidades e é preciso estar bastante atento a muitos detalhes. Outra questão fundamental é o trabalho em equipe, a obesidade é uma doença multifatorial, com várias causas, então essa equipe precisa funcionar como uma orquestra muito bem afinada, quanto mais afinada ela estiver, melhor o resultado do paciente.

Brasil Notícia– Quais os fatores psicológicos podem contribuir para o ganho de peso?

Paula Chaves  – Devido à crescente incidência de males como ansiedade, estresse e depressão, muitos estão descontando todas as frustrações e problemas diários na comida e, consequentemente, ingerindo uma quantidade de alimentos bem maior do que organismo precisa para viver. Nem sempre comemos quando temos fome, muitas vezes pessoa come simplesmente para tentar preencher o vazio emocional e se sentir melhor. As pessoas comem porque se sentem entediadas, solitárias, infelizes, cansadas, ou por qualquer outro motivo que não esteja diretamente relacionada a necessidade de se alimentar.Perdas, decepções, frustrações, necessidade de agradar ou ser aceito, rejeição, rompimentos, luto, dentre outros, podem favorecer a alteração no comportamento alimentar, levando o indivíduo a comer demais. O alimento, nesse contexto, seria um substituto do afeto perdido.

Brasil Notícia– Como o processo de emagrecimento realmente funciona?

Paula Chaves  – Perder peso não é fácil. Controlar a alimentação e praticar atividades físicas podem parecer atitudes simples, mas quem está acostumado a anos de maus hábitos precisa de muita força de vontade para conseguir atingir as metas de uma vida mais saudável.

Para emagrecer, não existe fórmula mágica. Quando o objetivo de perder peso é estabelecido, a pessoa deve ter três atitudes em mente: determinação, paciência e autoconhecimento. A pessoa precisa estar preparada para lidar com mudanças, pequenos sacrifícios e estabelecer objetivos a curto, médio e longo prazo.O fundamental da “história” toda é o sujeito se implicar no processo, saber que não vai ser fácil, que ele vai enfrentar dificuldades e que o resultado depende única e exclusivamente dele.

Brasil Notícia– Qual seria o ponto chave para que o processo traga o resultado desejado?

Paula Chaves  – Para emagrecer (e continuar no peso desejado) é preciso que o individuo tenha consciência que em primeiro lugar, o emagrecimento tem que acontecer na nossa mente. O individuo tem que querer mudar seus hábitos de vida, e entender que se ele quiser manter-se magro e no peso, essa mudança só tem data para começar e não tem dia para terminar. Se ele voltar a ter hábitos antigos, ele volta a engordar… É preciso muita disciplina, força de vontade e que o sujeito tenha o controle da sua vida, de suas escolhas. A responsabilidade é única e exclusivamente dele, não há vítimas desse processo, somente é preciso que ele tenha consciência disso, o que não é fácil e nem da noite paro o dia. Por isso a importância de se procurar um psicólogo especializado para auxiliá-lo.

 

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