23 de Abril de 2017

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Terça, 11 de abril de 2017, 11h10 Tamanho do texto A- | A+


ENTREVISTA DA SEMANA

Entrevista com a Presidente do Sintap - Diany Dias

Presidente do Sintap, Diany Dias

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Adriana Nascimento

A presidente do Sindicato que representa os servidores do Intermat e do Indea, Diany Dias, fala como é a vida de um líder sindical que foi formado, praticamente, no ventre de sua mãe, uma lutadora pelas causas sociais e que, com exemplo aos filhos, mostrou que é preciso ação para obter uma reação melhor das políticas públicas para quem mantém a sustentabilidade do país: a população e seu nobre trabalho. No caso de Diany, ela defende a defesa sanitária animal e vegetal bem como a regularização fundiária dentro das fronteiras no estado de Mato Grosso há quase uma década, mas está pronta para desafios maiores se necessário. Confiram sua história de vida e planos de futuro!

 

Revista Centro-Oeste – Fale um pouco sobre seu primeiro contato com o sindicalismo?

Diany Dias – Hoje estou como presidente do Sintap, que é o sindicato do sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal. Tive uma infância feliz junto com minha família, humilde, não sou de família rica e sim de família assentada que teve o benefício do Incra e, conheci o sindicalismo através da minha mãe, Joana de Souza Dias. Ela foi líder em vários assentamentos onde buscava a sustentabilidade de várias famílias e ela mostrou para os filhos a importância de sermos unidos porque, só assim, somos mais fortes. Seu exemplo nos mostrou que, através da humildade, da perseverança e do amor, podemos construir lindos e maravilhosos castelos onde podemos colocar os sonhos das pessoas. Foi isso que minha mãe fez, mostrou a importância da união para a gente e quando falo a gente é que meu irmão, João Dias, presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos, aprendemos muito caminhando com ela. Meu pai já era mais calmo, trabalhava e buscava trazer nossa família unida e minha mãe buscava a sustentabilidade dela através da busca por um mundo melhor para todos viverem.

Passamos várias dificuldades, não nego que fomos uma família bem humilde. Já dormi em colchão de capim quando pequena, mas, a liderança da minha mãe trouxe a nossa capacidade para dar de tudo e nos fazer ser o que hoje somos.

Por isso agradeço todo o início da minha vida no sindicalismo à minha família, mas, em especial, à minha mãe que eu amo muito!

 

RCO – De lá para cá qual foi sua trajetória na área?

DD – A minha trajetória na área começou com minha mãe, como eu já disse, e, através dela, buscamos, porque ela foi, também, assistente social em Nova Xavantina, eu participava junto com ela das associações de moradores de bairros e, com isso, fui me tornando líder dentro da sala de aula. Primeiro fui líder da classe, depois presidente do Grêmio Estudantil e passei a estar presente em diversos eventos como o primeiro festival da Coca-Cola em Nova Xavantina, depois o da Kibon. Então, eu, com minha liderança, comecei movimentar a juventude do município. Com isso eu comecei a trabalhar muito cedo. Com 14 anos trabalhava na prefeitura, no Indea e isso foi me mostrando como era importante fazer grupos de pessoas que buscam os mesmos objetivos, que são trazer a sustentabilidade para nossas famílias. E o mais importante, buscar fazer com que as leis sejam cumpridas porque muitas das leis que podem nos beneficiar nós, a sociedade, nem conhecemos! Nesse sentido foi que busquei o sindicalismo.

A partir daí fui fazer parte da Associação dos Servidores Públicos do Indea, foi a primeira entidade que existiu e eu estive em vários cargos nessa entidade como a de vice-presidente. Candidatei-me a primeira vez para ser presidente desta associação e perdi por três votos, mas não desisti!

Em 11 de novembro de 1989 eu e um grupo fundamos o Sintap. De lá para cá sempre participei de todas as diretorias, exceto a de uma, a da presidente Luzenil. Então, sempre estive militando no sindicalismo. Participei também da ala jovem da CGTB e de vários movimentos sociais, mas sempre atrás das câmeras porque sempre tirava fotos e registrava tudo. Tudo isso culminou na minha candidatura a presidente do Sintap em 2006 onde assumimos o cargo em 15 de janeiro de 2007. E lá se vão dez anos à frente da instituição!

 

RCO – À frente do Sintap por dez anos e, agora, no último ano de gestão, qual o balanço que faz de seu trabalho?

DD – O Sintap sempre foi um desafio porque, apesar de ter militado, eu nunca estava à frente. Nunca dirigi uma instituição. Então, eu tive que mostrar o melhor de mim. E, com esta experiência, me identifiquei ainda mais com o sindicalismo. Para quem não sabe, quando a pessoa se torna presidente de um sindicato é o mesmo que se casar com ele. Você abandona um pouco a família, pois não se pode estar presente nos momentos mais cruciais da vida familiar porque se está fora defendendo toda uma classe.

Se a sociedade observar as nossas leis de carreira (Indea e Intermat) todas foram aprovadas nos últimos dias de cada ano. Por isso, muitas vezes, passei o Natal e vésperas de ano novo dentro da Assembleia Legislativa. Enquanto todos preparavam suas festas eu estava na AL com poucos amigos lutando para buscar o que toda a categoria almejava e tínhamos decidido em assembleia e lutávamos para que aquilo saísse do sonho e se tornasse realidade. Então, tem todo um trabalho que, muitas vezes, não é reconhecido.

 

RCO – O que considera a maior conquista?

DD – Foi, sem dúvida, conseguir a carreira de Fiscal de Defesa Agropecuária que era um sonho da categoria. E essa foi uma proposta da chapa que se chamava “Faça Parte” para trazer esta classe para dentro de nossa base que era ser fiscal de fato e de direito porque a gente é de tudo um pouco, mas, de fato e de direito, a gente trabalha com a fiscalização. E não éramos fiscais, e sim técnicos e assistentes administrativos. Hoje todos são fiscais e agentes fiscais dentro do Indea.

A segunda conquista foi que, na implantação do subsídio, em 1999, que só ocorreu em 2003. Em 1999 houve a implantação do subsídio onde tivemos muitas percas salariais. Em 2003, depois de ter feito um estudo juntamente com a SAD, que hoje é a Seges, fizemos e conquistamos a Lei 10.041, que veio recompor as percas. Então, essa foi nossa segunda maior do sonho dos servidores que era reverter o quadro da implantação dos subsídios, que não reverteu de todo, mas conquistamos a maior parte.

 

RCO – Muita gente acha que ser presidente sindical é ser dispensado do trabalho e ficar só recebendo salário. No seu caso, nos diga, quanto do seu tempo diário dedica à causa sindical e em quais entidades?

DD – Referente a ser liberada do serviço e ganhar meu salário, é bom que a sociedade entenda que o líder sindical não tem hora nem espaço nem importa o dia ou sua vida pessoal. A vida dele é exclusivamente ser presidente da entidade e tem que cumprir obrigações. Com isso você se dedica de corpo e alma.

Eu não vi os meus dois filhos crescerem. Lucas, o mais velho, hoje tem 14 anos e eu passei a vida toda dentro do sindicato. Sinto falta de brincar com meu filho porque chego cansada. Hoje tenho uma menina de cinco anos, Daniela, que fala assim para mim: “mamãe, você já vai trabalhar no sindicato? Fica comigo! Você vai todos os dias para lá”. E eu falo que preciso trabalhar porque tenho que cumprir horário (pelo menos de entrar) no sindicato. Sempre cumpri estar no sindicato diariamente. Nunca vai escutar alguém falar que faltei. Se isso porventura ocorreu é porque aconteceu algo com minha família ou comigo. Mas a dedicação de um presidente é a mesma de quem almeja representar bem uma base. É dedicação exclusiva à lida sindical e, portanto, merece seu suado salário como todo mundo. Tem dia que a gente não almoça ou nem dorme direito pensando nas coisas a resolver para sua base.

 

RCO – Se arrependeu em algum momento de pegar uma carga tão grande?

DD – Não. Nunca! Muitas vezes até chorei, por, talvez, não ter reconhecimento das ações que se faz. Não ter reconhecimento da base, buscar o melhor para esta base e talvez não seja o melhor da base, mas o arrependimento nunca veio de estar à frente do Sintap porque quando se tem um sonho você corre atrás e o meu sonho, na época, era trazer a sustentabilidade financeira para a categoria e hoje a temos. Isso porque temos um salário digno onde podemos sustentar nossas famílias e isso me traz o contentamento de fazer parte deste trabalho sindical. Mesmo que não haja 100% de reconhecimento da base, mas tenho o da minha família que sabe que atualmente vivemos dias melhores.

 

RCO - Com tanto trabalho nessa área como fica a vida pessoal?

DD – Não tenho. Quando se exerce um cargo de tamanha responsabilidade não se tem vida pessoal porque nos tornamos figura pública e, nesse contexto, temos que ser exemplo para todos. Por isso temos que cuidar do lado sindical enquanto a vida pessoal fica de lado. Assim é minha vida. Hoje estou solteira há cinco anos e meu foco é a busca de melhoria cada vez maior da base a qual eu represento. Se você tem vida pessoal claro que será cobrado para ter hora de chegar em casa e um líder não tem hora para resolver os problemas sindicais. Então, meu foco está totalmente no trabalho neste momento.

 

RCO – No âmbito do Sintap, explique como seria a taxação do Agronegócio. Como e para que ele serviria?

DD – A taxação do agronegócio deveria ocorrer não só no âmbito do estado de Mato Grosso, mas também em nível nacional. Sabemos que este é um negócio que move a economia do país com muita exportação de matéria-prima ao invés de buscamos a industrialização dos produtos de origem animal e vegetal exportamos tudo in natura. Então, queremos a taxação em virtude do setor não ter nenhum tipo de taxa, nem os insumos e nem a soja cuja lei Kandir protege e, com isso, um grupo de pessoas ganha muito enquanto outras nem tanto. O agronegócio já teve aqui em Mato Grosso muito incentivo e acho que agora é hora de dar uma contribuição maior para a população com essa taxação. Ele tem incentivos para exportação, de ICMS e de insumos. Então, acho que está na hora de a sociedade ter um retorno maior. Apesar de esse setor pagar o Fethab, isso é exclusivamente para o agronegócio, pois tem a finalidade de fazer manutenção e construção e estradas é nesse sentido que buscamos essa taxação. Com ela poderemos fazer laboratório para pesquisa com mais recursos como o laboratório de análise de sementes já que o atual laboratório está sem possibilidade de desenvolver um trabalho maior do que o que já desenvolve. Com isso a gente traria mais sustentabilidade para o Indea ampliar suas ações e dar um retorno ainda maior para o agronegócio.

 

 

RCO – Além de causas sindicais, como o Sintap age em defesa da sociedade?

DD – Trabalhamos para buscar mais qualidade já que esse é um de nossos lemas. Por isso fomentamos a qualidade de vida através do esporte com a criação da equipe Sintap MT Running e com casas assistenciais onde ajudamos sempre que possível buscando a viabilidade de melhorar a vida da sociedade. Essa foi a forma que encontramos de colocar a população mais perto do servidor e sua realidade. Isso de inserir o esporte começou nessa minha terceira e última gestão. Antes fazíamos só serviço assistencial, mas quando veio a sugestão de nosso diretor de Esportes, Jean Boaventura de Brito, pudemos consolidar essa vertente que hoje incentiva a participação do servidor nas mais diversas corridas do Estado. Outro orgulho é, sempre que possível, doar fraldas para o abrigo de idosos São Vicente de Paula e brinquedos para as crianças da creche Ceninca.

 

RCO – Falando em qualidade de vida como foi o episódio de haver greve para conseguir melhores condições de trabalho?

DD – O motivo é que como os servidores sentiam seu trabalho ser inviabilizado por falta de condições e ficaram então com vergonha de receber os salários por não poderem prestar um serviço de qualidade à população e nem estrutura para atendimento adequado. Essa greve ocorreu em 2016 e a fomentamos porque acredito que o Sintap também tem a responsabilidade de ajudar a atender melhor à sociedade. Não adianta ter profissionais de alto gabarito e uma estrutura deficitária. Isso pode dar a impressão que o servidor não sabe fazer seu trabalho e isso não é verdade. O que falta é condição de trabalho.

 

RCO – E qual foi o resultado dessa luta?

DD – Conseguimos melhorar as condições de trabalho, tivemos nossas contas do Indea pagas, foram adquiridas viaturas novas e trocas de presidente, entre outras melhorias. Então, fizemos com que a sociedade acreditasse mais no órgão Indea. Já o Intermat tivemos uma luta que não é atual. Começamos com o salário. Sabe-se que no sindicalismo não se consegue tudo de uma vez e sim passo a passo. Então, lá começamos arrumando o Plano de Cargos e Carreiras porque estes do Intermat recebiam menos do que os servidores do Indea. No entanto, o Intermat é uma autarquia igual ao Indea e tem as mesmas prerrogativas, mas os servidores desse primeiro recebiam menos do que o segundo. Por isso fiz esse compromisso de campanha de equiparar os salários, o que foi feito em 2013 e pago em parcelas onde este ano é a última parcela.

 

RCO – Como está a luta pela volta da identificação da madeira em Mato Grosso?

DD – Isso não é uma prerrogativa do Sindicato fazer, mas como trabalhamos com o lema de Mais Qualidade sendo voltado à sociedade é como se nós estivéssemos lutando pelo direito que ela tem de adquirir produtos certificados pelo Governo, por isso essa necessidade de voltar essa identificação. Sendo assim, fizemos um estudo através da Associação dos Engenheiros Agrônomos, porque o sindicato não tem a prerrogativa de entrar com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que é de responsabilidade do gestor, ainda assim a entidade sob minha gestão foi atrás de estudos e levantamento de custos e formas de viabilizar esse retorno bem como a questão jurídica para entrar com uma Adin contra a ação da Assembleia Legislativa acabando com a identificação da madeira no Estado. Com isso mostramos a necessidade dessa identificação tanto em termos de combate ao desmatamento quanto de manutenção da economia estadual e de divisas porque quando se tem uma fiscalização que coíbe o desmate ilegal o Estado é bem visto em todas as instâncias tanto do país quanto internacionalmente.

 

RCO – Pela sua experiência, as causas sindicais têm mais abertura política hoje ou os entraves ainda são os mesmos do início de sua luta?

DD – São os mesmos. Isso porque o servidor não tem a prerrogativa de fazer política partidária e nem sindical. Agora que estamos acordando para esta última porque estamos sofrendo muito com as últimas decisões políticas que estão sendo feitas contra o direito do servidor. Atualmente sem política partidária temos que correr para frente da Assembleia Legislativa. O servidor não sabe ainda fazer política e por isso temos as dificuldades justamente porque não temos representantes da classe nessa área. Então acredito que está mais do que na hora de o servidor começar a acordar para a política. Apesar de isso ocorrer muito lentamente já tem havido um despertar nesse sentido.

  

RCO – Como encontrou o Sintap na sua primeira gestão e como vai deixa-lo para a próxima?

DD – Encontrei o Sintap com poucos sindicalizados e não tinha uma proposta de sindicato aguerrido. Não que não lutasse porque todos os presidentes tinham sua característica de luta, mas toda a construção deles e de minha contribuição fez do Sintap o que é hoje. Quando iniciei minha primeira gestão vi que tinha que haver várias mudanças na linha de direção de posicionamento sindical junto às políticas públicas mas isso só foi possível com o a construção de cada um antes de mim e é isso que faz do sindicalismo algo arrojado e dinâmico.

 

RCO – O que seria o Projeto Agro Sistema?

DD – Esse projeto visa dar visibilidade a tudo que o Indea faz dentro do Estado de Mato Grosso e a importância do papel do servidor. Hoje a sociedade vê o servidor como o causador dos rombos e mazelas impostas a eles. E acham que somos preguiçosos e ganhamos polpudos salários, ou seja, enxergam só a visão que a grande mídia prega. Com este veículo de comunicação queremos mostrar as atividades que o servidor do Indea e do Intermat faz para fazem para a sociedade. Vamos mostrar por que tem as pragas quarentenárias, por que tem que haver a vacinação da febre aftosa e a importância da identificação da madeira e qual o motivo de existir o Indea e Intermat. Enfim, mostrar qual a importância desses órgãos na vida de cada um. Hoje quando a pessoa abre a geladeira e pega produtos e subprodutos de origem animal e vegetal, está olhando para o trabalho dos fiscais do Intermat e Indea. O primeiro regulariza as terras para que possam ser feitas suas safras e o segundo fiscaliza para que a pessoa não coma produtos de origem duvidosa.

 

RCO - E o futuro? Para onde e como vai canalizar a experiência adquirida em todos esses anos como sindicalista?

DD – Estou hoje, além de presidente do Sintap, também como vice-presidente nacional da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e estamos fundando a regional estadual e esse trabalho será voltado para o desenvolvimento do sindicalismo de Mato Grosso buscando a viabilidade de construir uma base sindical mais forte, aguerrido e unido não só com os servidores, mas também com o trabalhador da iniciativa privada. Com estes vamos buscar, o que for de comum acordo, ajudar um ao outro como é o caso da PEC 287 (Reforma da Previdência), que vai atingir a todos e não só o servidor público, então é preciso uma união para fortalecer esse combate e ajudar a esclarecer o trabalhador acerca da retirada de direitos bem como a manutenção de outros. Então, a luta continua e, juntos, somos mais fortes! É nisso que acredito e vou seguir!

 

 



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