Entrevista com Alexandra Pimentel, Agente Fiscal de Defesa Agropecuária do Indea

Por Adriana Nascimento

Como prevenir é melhor do que remediar e ciente de que a informação é sempre a melhor saída para educar seja em qual área for é que uma ideia de uma servidora do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea) foi colocada em ação para ajudar a fomentar as boas práticas em campo evitando, assim, ao máximo, que se chegue ao Auto de Infração. Esse nível aponta problemas e é justamente isso que se quer evitar. O ideal para Mato Grosso – conforme aponta a presidente do Sindicato dos servidores da autarquia (Sintap), Diany Dias – um estado pujante em agropecuária, é que o campo tenha um nível de educação sanitária condizente com essa grandeza e que possa ser exemplo à outras unidades da Federação. Nesse sentido é que o Sintap destaca o projeto “Roda de Conversa de Educação Sanitária – Informação, Prevenção e Cultura do Campo” feito por iniciativa da servidora, Alexandra Pimentel. Atualmente Agente Fiscal de Defesa Agropecuária e Florestal (Afedaf) II, lotada na Unidade Veterinária Local (UVL) de Rondonópolis, ela tem três anos de Indea. Antes disso exercia a função de Gerente de projetos culturais na Secretaria Municipal de Cultura. Nesse local, ela lembra que havia uma equipe onde o gestor priorizava projetos multidisciplinares e multiplicadores. Tinha, assim, que escrever e desenvolver projetos que atendessem ao maior número de pessoas. E foi assim que se apaixonou por este tipo de trabalho. Ela também é historiadora graduada como Educadora Patrimonial. Tanta capacitação só poderia dar em um lindo projeto. Confira abaixo a entrevista sobre o assunto.

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Revista Centro-Oeste – Como pensou o projeto de Educação sanitária?

Alexandra Pimentel – Quando fui para o Indea queria conhecer este mundo novo para mim (risos). Em conversa com o gerente, Ricardo Oliveira, ele me disponibilizou para a Unidade Local de Execução (ULE) de Rondonópolis para trabalhar no atendimento e em alguns eventos agropecuários como cavalgadas e Parque de Exposições. Todavia, foi o atendimento ao público que me possibilitou abrir este leque de opções, pois é no atendimento que, de fato se conhece o produtor, tanto de maior poder aquisitivo ou não. E a carência de informação vem por parte do pequeno produtor rural que, por vezes, chega ali no balcão e deixa de perguntar por receio por sermos um órgão fiscalizador. No Indea, dentro da Coordenadoria de Defesa Sanitária Animal (CDSA) tem o Programa de Educação Sanitária e Cadastramento. Quem responde por esta atividade é a Fiscal de Defesa Agropecuária (Fedaf), veterinária Dra Ana Beatriz Barbosa de Castilho, onde são ofertados cursos para Fedafs veterinários e agrônomos. A Educação Sanitária vem sendo desenvolvida no Indea separadamente, tanto por veterinários quanto por engenheiros agrônomos, são ministradas palestras, cada um em sua área específica.

O diferencial proposto neste projeto chamado Roda de Conversa é que ele fosse multidisciplinar e multiplicador. Contudo, venho propor uma ação conjunta entre as áreas animal e vegetal, bem como, entre competências de nossa cidade, secretários e gestores que estão desenvolvendo atividades afins.

O projeto foi abraçado de imediato pelos médicos veterinários, Victor Cesar Ribeiro Amorim, Mario Artur Correa e Estevão Galhego Mari; o Afedaf I, Flávio Soares de Moraes e o engenheiro-agrônomo, Antônio João Moreira Calaça, que levam informação de suas áreas de trabalho focado para suprir a carência do local escolhido. Também pelo responsável da ULE de Rondonópolis Amaro Pedro de Moraes e o gerente regional Ricardo Oliveira Alves, que tem apoiado o projeto e levado para outras unidades.

Ainda contamos com a secretaria municipal de saúde enviando os servidores do Centro de Zoonoses: Marcelo de Oliveira, Manoel Martins e Manoel de Araújo, Márcia Veloso, do escritório regional de saúde; o vereador Jailton Dantas – que é conselheiro municipal de Meio Ambiente e, mais recentemente, o zootecnista Bruno Schneider, da Socil/Zoofertil, convidado pelo gerente regional.

Todos os assuntos tratados estão interligados e tentam sanar a problemática encontrada na região, como no assentamento Dom Osório, que foi o último a ser realizado e estava em uma região com três focos de raiva. Lá, o assunto ‘zoonose raiva’ foi intensificado em todas as falas.

 

Revista Centro-Oeste – Por que a escolha deste público?

Alexandra Pimentel – Para este projeto foi proposto pelo médico-veterinário, Victor César Ribeiro Amorim, responsável pela URS de Rondonópolis, que o local de público-alvo fosse, a priori os assentamentos de Rondonópolis, que, ao todo, somam 19, e são onde se encontram o maior número de inadimplência em campanhas por falta de informação.

 

Revista Centro-Oeste – Quanto tempo demorou para ser implementado?

Alexandra Pimentel – Devido à proximidade da campanha, entre o Ricardo propor se eu gostaria de desenvolver alguma atividade nesta área me dando carta branca para mobilizar os participantes, reuniões e a culminância do projeto, foi menos de um mês. Portanto, chamamos a esta primeira etapa de Projeto-piloto.

 

Revista Centro-Oeste – Por quantos municípios passou e vai passar?

Alexandra Pimentel – A princípio Rondonópolis, percorrendo, primeiramente, os 19 assentamentos existentes no município. Porém o gerente Ricardo Alves – que também é apoiador do projeto – marcou reuniões em São José do Povo e Tesouro nestes moldes.

 

Revista Centro-Oeste – Qual o objetivo deste projeto?

Alexandra Pimentel – Entre os demais objetivos tem como principal o de levar a informação de prevenção para os pequenos produtores rurais, evitando chegar até o auto de infração por falta de conhecimento e o levantamento de questionamentos nas comunidades, com isso novos dados para o órgão a serem trabalhados. Educação sanitária, informação, prevenção, recolhimento e levantamento de novos dados sanitários e da cultura do campo, instrução e dar a oportunidade de sanar dúvidas que, por vezes é barrada por receio de perguntar ao órgão fiscalizador

 

Revista Centro-Oeste – Qual seu cronograma?

Alexandra Pimentel – Foram feitas reuniões em abril e maio, o que chamamos de Projeto-piloto, agora nos reuniremos e avaliaremos o saldo e partiremos para as atividades em todo o segundo semestre do ano.

 

Revista Centro-Oeste – Qual todo seu conteúdo programático?

Alexandra Pimentel – Os veterinários Victor, Mário e Estevão – Defesa Animal, Leis, Zoonoses e Campanha. O Afedaf I, Flávio: Cadastro, GTA, Trânsito, Leis e Fiscalização. O engenheiro-agrônomo, Antônio Calaça: Manejo e Armazenamento dos Agrotóxicos, Utilização do Equipamento de Proteção Individual (EPI) e Leis. E os nossos parceiros cada um leva a sua pauta de acordo com a necessidade da área de atuação, porém mantendo um diálogo com a pauta do Indea. O Centro de Zoonose: Raiva humana e canina, Brucelose humana, Leishmaniose, Doença de Chagas e, atualmente, a Febre amarela. Bruno, da Socil/Zoofértil: Nutrição animal.

Revista Centro-Oeste – É incentivado aos servidores fomentar ações como essa que fortaleçam a defesa sanitária?

Alexandra Pimentel – O Programa de Educação Sanitária oferece cursos apenas a veterinários e agrônomos. E a atividade desenvolvida aqui conta com Fiscais de Defesa Agropecuparias (Fedafs) e Afedafs, o que reforça o trabalho como equipe, já que trabalhamos todos juntos e para o mesmo objetivo, e o perfil didático de quem vai exercer a atividade de educação sanitária deveria ser levado em consideração.

 

Revista Centro-Oeste – Como se sente com o resultado positivo da acolhida do público?

Alexandra Pimentel – Muito feliz! A recepção é calorosa, a conversa informal, o feedback é praticamente imediato através do questionário aplicado, resultado maravilhoso deixa sempre as portas abertas para voltarmos.

 

Revista Centro-Oeste – Há outros projetos sendo elaborados? Pela sua vivência no trabalho, é preciso mais algum de qual forma?

 

Alexandra Pimentel – Um projeto não nasce com um estalo, ele percorre um caminho junto com as vivências e aprendizados de uma pessoa ou de um grupo. Sem os colegas Victor César, Flávio Moraes, Mário Artur, Estevão Galhego e Antônio Calaça este projeto não sairia do papel. A eles meu muito obrigada de coração e a todos os demais servidores de Rondonópolis pelo apoio e força.

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