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Cidades
Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2019, 10h:09

Mato Grosso

Servidores alegam que há recurso suficiente para cumprir folha de pagamento

Jornal A Gazeta

Otmar de Oliveira

Mais de 470 milhões. É o dinheiro que havia no caixa do Estado em 11 de janeiro deste ano, poucos dias depois de o governo decidir escalonar o salário dos servidores. O dinheiro serviria para quitar toda a folha de pagamento, segundo servidores da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) e da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) ouvidos pela reportagem do jornal A Gazeta.  

  

Eles alegam que folha de pagamento dos servidores ativos é de R$ 362 milhões e que, portanto, haveria dinheiro suficiente para quitá-la. Segundo dados do Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan) obtidos pela reportagem, Mato Grosso fechou janeiro com R$ 1,272 bilhão de receita líquida em caixa, após todas as deduções e repasses constitucionais.  

 

A assessoria de imprensa do governador enviou tabela ilustrativa que registra uma receita maior, de R$ 1,361 bilhão. As despesas, no entanto, geraram um déficit em janeiro de R$ 168 milhões. A tabela enumera despesa com pessoal, repasse aos poderes e despesas com a dívida.   

 

Por conta destas outras despesas, segundo o governo, o salário dos servidores referente ao mês de dezembro, pago em janeiro, foi escalonado. O anúncio foi feito no dia 4 daquele mês. Em nota, a Sefaz justificou a decisão ao afirmar que o governo anterior teria deixado dívidas acumuladas na folha de pessoal no valor de R$ 2 bilhões. Na avaliação de servidores, o escalonamento foi uma opção política e não financeira, porque havia dinheiro em caixa e a receita líquida é posterior às deduções e repasses constitucionais, como os repasse aos municípios. Segundo este entendimento, as despesas prioritárias são a folha de pagamento e a dívida pública.   

 

Também neste mês a dinâmica se repetiu. Até o dia 15 de fevereiro, o Estado registrou R$ 849 milhões em receita líquida. O valor é superior a soma das despesas com pessoal ativo e inativo. Ao todo, segundo dados de janeiro, estes gastos somam R$ 563 milhões.   

 

De acordo com o secretário Rogério Gallo, seria impossível pagar os servidores sem escalonar porque há repasses urgentes que também deveriam ser feitos. Segundo ele, o pagamento dos salários em dia geraria um lastro nas receitas que prejudicaria ou impossibilitaria o pagamento das outras despesas. "Ainda que eu tenha dinheiro que possa fazer frente ao pagamento dos salários no dia 10, eu tenho que guardar dinheiro para outras despesas, que também são essenciais", ressaltou.

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