Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2019

Cidades
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2019, 19h:45

Mato Grosso

Preza renuncia ao cargo de presidente da Santa Casa

Gazeta Digital

João Vieira

O médico Antonio Preza renunciou nesta terça-feira (29) a presidência da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. Ele estava à frente do hospital filantrópico há 6 anos. Com isso, o vice-presidente, Carlos Coutinho, deve assumir.

Em entrevista ao Gazeta Digital, Preza afirmou que tomou a decisão no último fim de semana devido as dificuldades financeiras que a unidade está enfrentando há meses por conta de atrasos frequentes do poder público e, consequentemente, o atraso no salário dos servidores.

Um dos motivos para sua renúncia seria a emenda da bancada federal, no valor de R$ 12,4 milhões, que está há 20 dias na conta do Fundo Municipal de Saúde e ainda não foi repassada à unidade.

"Ao longo dos últimos 6 anos estivemos à frente da diretoria e que foi uma experiência inimaginável para minha vida, mas nos últimos tempos estamos passando por dificuldades financeiras extremas que seriam amenizadas com a liberação, mas não consegui que esta liberação ocorresse. Essa diretoria conseguiu fazer grandes mudanças na nossa estrutura física, mas em relação ao custeio não conseguimos avanços. Todas as nossas contas foram aprovadas por unanimidades pelas Assembleias Gerais da sociedade. Agradeço a Deus a oportunidade que me foi dada e agradeço a família, principalmente minha esposa Telma que foi incansável ao vir ao meu auxílio", diz trecho da carta em que ele explica a renúncia.

Ainda segundo informações, a unidade estaria com 3 folhas de pagamento de salário em aberto, além do 13° salário dos profissionais. Médicos que recebem por serviços prestados estão há 6 meses sem pagamentos.

"São as informações que ouvimos pelos corredores. Os médicos que estão aqui continuam na garra e sem forças. É muito tempo sem receber sem contar que meu filho está na oncologia infantil e todas as máquinas foram retiradas porque também recebemos informações da psicologia que a ala será fechada por falta de recursos e nenhum paciente está sendo internado no local", disse uma fonte ouvida pelo Gazeta Digital, que preferiu não se identificar.

Vários movimentos grevistas e paralisações foram realizados pelos profissionais no ano passado com objetivo de chamar atenção da administração pública sobre a situação caótica em que o hospital enfrentava.

Em um dos movimentos, os funcionários paralisaram 70% da unidade e os reflexos foram percebidos no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), localizado a poucos metros.

Um acordo com os trabalhadores mediado pelo Tribunal Regional do Trabalho, comprometendo-se ao pagamento das folhas em atraso, chegou a ser firmado. Porém, não foi cumprido.

 

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