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Terça-feira, 02 de Fevereiro de 2021, 11h:49

2 de fevereiro dia de Iemanjá

Dia de Iemanjá tem praias bloqueadas e comércio fechado no Rio Vermelho, em Salvador

Nas praias do Rio Vermelho, principal palco da festa, apenas os pescadores da colônia de pesca do bairro tiveram livre acesso ao mar

Mauro Akiin Nassor /Fotoarena/Folhapress

"A Bahia tem uma rainha: Iemanjá, a senhora das águas, poderoso orixá do candomblé, sereia de cinco nomes, dona Janaína, Inaê, Yá, Rainha de Aioká. Ela reina sobre esse império das águas. Mãe e esposa de pescadores, seu amor supremo, seu desejo impossível".
 
As palavras de Jorge Amado, no guia Bahia de Todos os Santos, revelam a força e a mística de Iemanjá, divindade de religiões de matriz africana que protagoniza uma das principais festas populares da Bahia. Todos os anos, no dia 2 de fevereiro, centenas de milhares de pessoas tomam as ruas de Salvador para saudar a orixá.
 
Não em 2021. O Dia de Iemanjá foi comemorado com parcimônia na capital baiana em meio à segunda onda da epidemia da Covid-19. Nas praias do Rio Vermelho, principal palco da festa, apenas os pescadores da colônia de pesca do bairro tiveram livre acesso ao mar.
 
A prefeitura de Salvador fechou com tapumes o acesso às principais praias do Rio Vermelho para impedir o acesso do público ao mar e à faixa de areia.
 
Ambulantes não foram autorizados a trabalhar no Rio Vermelho. O comércio do bairro, com exceção de supermercados, farmácias, padarias e bancos, ficará fechado. Os estabelecimentos que abrirem as portas não poderão vender bebidas alcoólicas.
 
Em tempos normais, a festa religiosa costuma reunir centenas de milhares de pessoas em diversos pontos da orla, mas principalmente no Rio Vermelho.

A praia do Rio Vermelho, em Salvador, ficava lotada no dia 2 de fevereiro
 
Além da parte religiosa, a festa é marcada pela apresentação de bandas e grupos folclóricos pelas ruas do Rio Vermelho, além de festas privadas em bares e casas de show do bairro, que é um dos mais boêmios de Salvador.
 
Neste ano, a prefeitura iniciou ainda nesta segunda-feira (1º), o bloqueio dos acessos às praias do Rio Vermelho e suspendeu os festejos no entorno da Colônia de Pescadores do bairro. Os tapumes serão retirados na quarta-feira (3).
 
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), recomentou às pessoas que fossem a outras praias dos 64 km de orla marítima de Salvador para prestar as homenagens à orixá, mas sem gerar aglomerações.
 
"Com a pandemia, precisamos demonstrar nossa fé de forma responsável e cuidadosa", disse o prefeito.
 
No Rio Vermelho, apenas os líderes da colônia de pescadores e coordenação responsável pela entrega dos presentes à orixá tiveram acesso à praia.
 
Os presentes, preparados de forma coletiva por pescadores e entidades religiosas foram levados para o mar em um barco que saiu às 8h da manhã. A cerimônia restrita foi transmitida nas redes sociais da prefeitura.

Reconhecida como Patrimônio Cultural de Salvador, a Festa de Iemanjá é uma tradição iniciada por pescadores, que se reuniam no dia 2 de fevereiro para mandar presentes para a orixá das águas.
 
No início do século 20, a região de Monte Serrat, na região Cidade Baixa, era o principal local de celebrações. A partir dos anos 1930, o bairro do Rio Vermelho ganhou centralidade nas comemorações.
 
A festa é a principal manifestação cultural da Bahia ligada exclusivamente às religiões de matriz africana. Outras festas do calendário de festas populares, como a Lavagem do Bonfim, são marcadas pelo sincretismo religioso com o catolicismo.

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