Sábado, 26 de Setembro de 2020

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Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020, 17h:10

GONÇALO ANTUNES DE BARROS

Socorro aos que dormem...

Chama-se ‘conjuntura crítica’ quando se abre a possibilidade para reformas e rupturas

GONÇALO ANTUNES DE BARROS

Chama-se ‘conjuntura crítica’ a uma situação real do mundo fenomênico que abre a possibilidade para reformas e rupturas, objetivando, em tese, a que as coisas possam voltar à normalidade. Termo muito empregado em Sociologia, mas conceitualmente diferente considerando os vários pensamentos que se ocupam das análises sociais.

 

Até aqui a apreensão conceitual do citado referencial teórico não incomoda ao ponto de merecer um destaque neste espaço. O que inquieta, e que deve ser objeto de pontuação, é a possibilidade de manipulação dos acontecimentos e da realidade espaço/temporal para criar incertezas e conflitos a justificar uma intervenção para mudanças de ‘paradigmas’ institucionais e políticos.

 

Desde Platão, boa parte dos pensadores carrega o entendimento de que o conhecimento verdadeiro não pode dispensar a fundamentação nas ideias, ou seja, no mundo invisível, não sensível.

 

Na lição de Sócrates, respondendo a Cebes, minutos antes de tomar o mortal veneno a que foi obrigado: ‘Coloco em cada caso um princípio, aquele que julgo o mais sólido, e tudo o que parece estar em consonância com ele – quer se trate de causas ou de qualquer outra coisa – admito como verdadeiro, admitindo como falso o que com ele não concorda’ (Fédon).

 

Assim, nos exemplos históricos (para reflexão) e na sensibilidade política que perfaz a uma correta leitura dos movimentos reais de poder, tem-se a uma conclusão bem aproximada dos acontecimentos em breve tempo e iminentes. Basta, para tanto, neles empregar o que se tem como necessário em termos de princípios de ciência social e política.

 

Se alguém disser galinhada temos a absoluta certeza do que seja. Mas se disser canja, por exemplo, nem sempre o referencial apontará para a mesma direção, pois, canja de galinha é somente uma variação.

 

Da mesma forma, na política, haverá sempre ‘apelidos’ a que possamos referenciar quanto ao comando de determinado ministério ou secretaria, a atos governamentais etc. (lembrando de que antes de ‘etc’ não se emprega vírgula, mas tem sido aceito!!!): Ocupação, aparelhamento, desvio de função, contradição e até mesmo disposição a depender da vontade de quem nomeia.

 

O que parece ser emblemático é a cegueira ou mesmo o fingimento de que não está vendo anormalidades.

 

Nada acontece sem um planejamento - às vezes metódico e complexo e às vezes superficial e efêmero -. A depender dos princípios políticos empregados, teremos os mais variados resultados, capitaneados pelos mais variados interesses.

 

O que nisso tudo se pode chamar de proibido é tentar se safar no futuro de um ‘não sabia’. Sabia muito bem e foi literalmente avisado e avisada pela própria consciência crítica, que possui, já que é sujeito cognitivo, e pelas advertências propagadas por aqueles que não mentiram para si, tu e todos.

 

É por aí...

 

Gonçalo Antunes de Barros Neto tem formação em Filosofia e Direito.

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