Quarta-feira, 15 de Julho de 2020

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Segunda-feira, 25 de Maio de 2020, 15h:58

MARCELO PORTOCARRERO

Sem consenso não haverá solução

MARCELO PORTOCARRERO

Jano era o Deus das duas faces da mitologia romana. Ele representava o dualismo das coisas e as relativizava como nos casos dos inícios e fins ou passado e o futuro, sempre com a conotação de mudança para melhor.

O exemplo clássico de sua adoração é o nome do primeiro mês do ano, janeiro (de Juno), quando Júlio César, 46 antes de Cristo, estabeleceu o ano com 365 dias e fixou o 1º de janeiro como o primeiro dia do Ano Novo ao implantar o Calendário Juliano. Janeiro representa então o reinício, a transposição do passado para o futuro, o recomeço, a “esperança”.

Em sua principal característica, a dualidade das coisas, Juno representava a luta do bem contra o mal, por essa razão quando Roma estava em guerra seu templo permanecia com as portas abertas para proteger os soldados romanos. A esse respeito diz a mitologia que quando Roma foi invadida, das portas abertas de seu templo saíram torrentes de água quente que dizimaram o exército invasor. Juno era o Deus da Paz e protetor dos exércitos romanos.

Sim, a esperança era considerada um mal devido sua superficialidade a respeito do futuro

O que nos traz ao presente vez que o que rege nossas vidas agora são as informações diárias sobre a luta para combater essa doença que perambula pelo mundo devido ao surgimento de um vírus que ataca a todos sem distinção como se tivesse saído da Caixa de Pandora, artefato da mitologia grega que continha todos os males do mundo.

Mesmo sendo avisada que a caixa continha sentimentos perigosos e doenças que poderiam dizimar a humanidade Pandora a abriu e quando viu o erro que cometeu tratou de fechá-la fazendo com que a esperança, somente ela, um dos muitos males contidos na caixa, fosse preservada.

Sim, a esperança era considerada um mal devido sua superficialidade a respeito do futuro. Entretanto, em que pesem todas as possíveis incertezas até hoje é nela, na esperança, que nos apegamos quando precisamos reforçar nossa disposição de permanecer lutando por coisas boas como o bem comum.

Nesses momentos em que as informações a respeito do futuro são ora positivas ora negativas talvez enquanto uma moeda jogada ao céu não chegue ao chão tenhamos oportunidade de vencer esse coronavírus chinês de modo a que tudo não acabe como em um “cara ou coroa político”.

A continuar assim, não importa o resultado dessa disputa, de qualquer forma nós seremos vítimas da insensatez que predomina nas decisões dos que buscam pelo poder a qualquer preço e que nos obrigam a viver sob o domínio do medo.

Não há aqui dialogo honesto. Percebe-se, porque todos estão armados para tentar vencer a disputa mesmo sabendo que a falta desse dialogo não permite o consenso e “sem consenso não haverá solução”.

Marcelo Augusto Portocarrero é engenheiro civil.

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