Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020

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Terça-feira, 29 de Setembro de 2020, 15h:10

MICHELLE LEITE

Ruth Bader Ginsburg

Como mulher, agradeço imensamente Ruth por ter lutado por mim

MICHELLE LEITE

O mundo está envolto de grandes mulheres e com certeza uma das que merece ser lembrada para sempre é a juíza Ruth Bader Ginsburg. De pais imigrantes judeus, Ruth nasceu no Brooklyn, em Nova Iorque, no ano de 1933. Quando era ainda bebê perdeu sua irmã mais velha e, antes mesmo de se formar no ensino médio, sua mãe também morreu.

                    

Ela se casou e ao ficar grávida de seu primeiro filho, foi rebaixada no trabalho num escritório de assistência social. Nos anos 50, a redução do salário de mulheres grávidas em seus devidos empregos era totalmente legal. Um absurdo que podemos ver até os dias de hoje, onde mulheres são demitidas porque engravidaram ou nem mesmo são contratadas por serem mulheres e terem a possibilidade de engravidar futuramente.

                     

Em vista deste acontecimento, Ruth escondeu sua segunda gravidez anos depois e em 1956 foi uma das nove mulheres matriculadas na Faculdade de Direito de Harvard. Ocorre que o reitor da universidade provocou as estudantes, pedindo que justificassem o fato de terem tomado os lugares que seriam ocupados por homens. Assim, transferiu-se para Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, se formando em Direito em 1959.

 

A magistrada se tornou a primeira mulher a trabalhar nas publicações jurídicas de ambas as faculdades e, mesmo sendo a melhor aluna da classe, teve dificuldades em arrumar um emprego. Situação que era bem mais fácil para os homens. Escritórios não queriam contratar alguém que era judia, mulher e mãe.

                    

Em 1963, virou professora universitária em Nova Jersey, ministrando aulas sobre mulheres e direito. Ruth foi cofundadora do projeto sobre Direitos das Mulheres na União Americana pelas Liberdades Civis, advogando voluntariamente.

                       

Em 1973, tornou-se assessora geral dessa organização e deu início a um produtivo período de atuação em casos de discriminação de gênero, seis dos quais a levaram diante da Suprema Corte dos Estados Unidos. Ganhou cinco dos casos que defendeu, entre eles o de uma capitã da força aérea, que foi impelida a escolher entre abortar o bebê que estava esperando ou perder o emprego.

                   

Em 1980, Jimmy Carter indicou-a para a Corte de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Colúmbia e, em 1993, o então presidente Bill Clinton a nomeou para a Suprema Corte, sendo empossada em 10 de agosto, onde permaneceu até a data de sua morte.

                  

Ruth Bader Ginsburg foi a segunda mulher indicada à mais alta Corte dos Estados Unidos e boa parte da sua carreira foi defendendo a igualdade de gênero e os direitos das mulheres. Faleceu em 18 de setembro de 2020 e figuras públicas como Bill Clinton, Barack Obama e Viola Davis lamentaram sua morte publicamente.

                   

Como mulher, agradeço imensamente Ruth por ter lutado por mim, pela minha mãe, pelas minhas irmãs, pelas minhas amigas, pelas minhas avós e por todas as mulheres ao redor do mundo. Por causa de mulheres como ela sigamos vivas e com cada vez mais direitos conquistados. Obrigada, Dra. Ruth Bader Ginsburg.

 

Michelle Leite de Barros é advogada em Cuiabá-MT.

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