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Quarta-feira, 24 de Junho de 2020, 11h:40

ROSANA LEITE

Quanto orgulho!

No dia 28 de junho é celebrado o Dia Internacional do Orgulho Gay

ROSANA LEITE

No dia 28 de junho é celebrado internacionalmente o Dia Internacional do Orgulho Gay. A data comemorativa visa não só conscientizar e construir uma sociedade livre, sem preconceitos, e com equidade, como enfrentar, também, a homofobia.

A data tem história. No ano de 1969 aconteceram invasões em série da polícia em alguns bares de Nova York, e que eram frequentados pela comunidade LGBTQIA+.

No dia 28 de junho é celebrado internacionalmente o Dia Internacional do Orgulho Gay

A finalidade dos ataques eram intimidações, já que muitos e muitas foram presas injustamente e sofreram represálias por parte das autoridades. Porque tamanha brutalidade? Eles e elas não se calaram.

Reagiram e organizaram a 1ª Parada do Orgulho Gay no ano seguinte, em 1970. O episódio ficou conhecido como a “Rebelião de Stonewall Inn”, sendo a “pedra fundamental” do movimento.

O mundo passa a se organizar quanto às discriminações vistas e sentidas por conta de orientação e liberdade sexual. Assassinatos, lesões corporais, prisões sem razão e ofensas desmedidas, foram apenas exemplos de situações passadas por aqueles e aquelas que não esmoreceram face às variadas violências, injustiças e discriminações. Sim. Sempre foi assim! Para firmar direitos e garantia, sacrifícios de alguns e algumas sobrevêm.

Sem contar os olhares que surgem “naturalmente” quando alguém “teima” em não se enquadrar nos padrões impostos. As frases e expressões são as mesmas. “Viu como esse menino está crescendo afeminado?” “Olha só: aquela menina parece mulher macho.”

Oxalá, já conseguimos muita evolução! Todavia, é pouco frente ao tamanho preconceito que esse segmento vive e já viveu. Há pouco tempo atrás diziam se cuidar de doença, de enfermidade.

Na atualidade, ao analisar as variadas orientações sexuais descritas e não descritas, nem de longe conseguiremos chegar a todas as nomenclaturas. Não é taxativo, ou seja, não se esgota em linguagem.

Ensinar filhos e filhas que ninguém nasce com orientação sexual definida, é nutrir amor por nossos e nossas semelhantes. Educar com viés de liberdade de viver, ser, estar e conviver, é retirar “pesos e sofrimentos” desnecessários no futuro. A quem interessa o que as pessoas fazem em seu espaço íntimo e pessoal? É verdade, hoje já se discute o assunto com mais normalidade. Todavia, nunca houve tanta curiosidade em se imiscuir na privacidade e intimidade dos seres humanos.

As Paradas LGBTQIA+ acontecem, e devem acontecer, enquanto o desigual faz às vezes. No último final de semana aconteceu, lindamente, a 1ª Parada online de São Paulo. O isolamento social não foi empecilho. Se já enfrentaram “paradas” bem maiores, o que seria uma quarentena?

Todos e todas devem se orgulhar da respectiva orientação sexual. As Paradas Gays, como ainda são conhecidas, também possuem a intenção de que ninguém se exima em assumir e se orgulhar, exercendo a liberdade que lhes é inerente. Quantos e quantas passaram pela vida terrena sem externar a verdadeira orientação sexual? E quantos e quantas ainda passarão?

Heterossexual, homossexual, bissexual, lésbica, transgênero, travesti, intersexo... A existência de todos e todas muito interessa! Celebrar o amor de todos os gêneros, ou de quem não possui gênero definido, é valorizar a dignidade da pessoa humana, a cidadania e a democracia.

Robin Tyler foi enfático: “Se a homossexualidade é uma doença, então deveríamos avisar diariamente no trabalho: Oi. Não posso trabalhar hoje, ainda estou gay.” Ernest Gaines afirmou: “Por que é que, culturalmente, nós nos sentimos mais confortáveis vendo dois homens segurando armas do que dando as mãos?”

O dia 28 de junho é inenarrável! Além de toda carga infinita, e com impossibilidade de delinear na escrita, o escolhi, com orgulho, para renovar os meus ciclos anualmente...

 

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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