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Quarta-feira, 11 de Julho de 2018, 16h:14

Ailton José Terezo

Nanotecnologia: A revolução do século XXI? No Brasil?

Ailton José Terezo

Desde a revolução industrial, entre os séculos XVIII e XIX, e a revolução da microeletrônica nas últimas décadas, a sociedade passou por grandes transformações em virtude de importantes descobertas científicas que resultaram em novos materiais, processos e produtos. Mais recentemente, a descoberta de métodos e instrumentos para controlar a matéria em escala nanométricacolocou a comunidade científica mundial diante da possibilidade de uma nova revolução: A da Nanotecnologia.

Assim como no nosso dia-a-dia, a escala em metros, centímetros e milímetros, está em várias situações cotidianas, na nanotecnologia a escala de trabalho representa a bilionésima parte do metro, ou seja, 0,000 000 001 metro, ou ainda 10-9 m, equivale a 1 nanômetro (1 nm = 10-9 m). Um material nanométrico é cerca de 50.000 vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo. Em outra comparação, a célula de uma bactéria é da ordem de centenas de nanômetros.

A nanotecnologia pode ser definida como a área da ciência e tecnologia que visa à aplicação de materiais nanométricos em novos processos, produtos e está na vanguarda da inovação.

Os materiais nanométricos (ou nanoestruturados) possuem potencial de aplicação em diferentes áreas, não só porsua dimensão, mas especialmente por apresentarem propriedades físicas e químicas distintas daquelas características dos mesmos materiais em maior dimensão. Um clássico exemplo é o fato de que suspensões contendo nanopartículas metálicas de ouro podem exibir diferentes tonalidades das cores verde, azul, vermelho, rosa, violeta e amarelo, dependendo do tamanho e da forma das nanopartículas, diferentemente da coloração amarelo-dourada do ouro. Em outros exemplos, conversores catalíticos de automóveis, células fotovoltaicas, baterias para eletrônicos (smartphones, laptops, tablets, gadgets, etc...), são muito mais eficientes quando materiais nanoestruturados são empregados, ao invésdos similares com materiais convencionais.

Por si só, esse cotidiano eletrônico/digital para o qual fomos sugados recentemente, em parte pela contribuição da nanociência, seria suficiente para considerar que estamos vivenciando a revolução da nanotecnologia. No entanto, há alguns cientistas, céticos, presos à nostalgia de tempos passados, que não creditam esse potencial revolucionário à nanotecnologia e sugerem que esta será “apenas capaz de melhorar” produtos e processos já conhecidos. Seria“apenas mais um caso de pseudocrítica”no meio científico-intelectual capitalista?

O fato é que ananotecnologia tem sido apontadacomo potencialmente revolucionáriaem diversas áreas como: armazenamento e estocagem de energia; incremento de produtividade da agricultura; tratamento de água, da poluição do ar e remediação ambiental; diagnóstico, mapeamento e tratamento de doenças; sistemas de liberação controlada de drogas; processamento e armazenamento de alimentos; construções eficientes; monitoramento da saúde, vetores, detecção e controle de pragas. Assim, diante dosdesafios para atingir todopotencial de desenvolvimento da nanotecnologia, em tempos atuais de globalização competitiva de conhecimento e inovação tecnológica, são necessários investimentos estratégicos, com foco na atuação colaborativa e multidisciplinar, pois a nanotecnologia envolve desde áreas básicas da ciência como Química, Física, Biologia e Matemática, até as ciências aplicadas como nas Agrárias, Saúde, Alimentos, Ambientais, Engenharias e Sociais.

No entanto, a realidade é que o Brasil, em suas instituições públicasou privadas, com raríssimas exceções, em momentos de crise econômica corta recursos de investimento em pesquisa e formação de recursos humanos qualificados. Atualmente, e nada indica mudança de cenário no curto prazo, o país realiza um “nanoinvestimento” em ciência, tecnologia e inovação. Qual será o resultado? “Nanorevolução?” Portanto, provavelmente continuaremos como importadores de produtos e processos (nano) tecnológicos, apesar do esforço de uma legião de cientistas na tentativa de romper com a realidade que nos é imposta. 

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