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Segunda-feira, 01 de Abril de 2019, 12h:04

POLIANA PELISSARI

DENGUE

A dengue é uma doença febril aguda causada por um vírus. É transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente com a dengue em mais de 100 países de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da dengue. Existem quatro tipos de dengue, de acordo com os quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Quando uma pessoa tem dengue tem uma imunidade relativa contra outro sorotipo. 

 

Os sintomas normalmente começam cerca de três a quinze dias após a pessoa ser picada por um mosquito infectado. A gravidade da dengue varia. Geralmente, a dengue começa repentinamente, causando febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dor ao mover os olhos, cansaço extremo e fortes dores generalizadas pelo corpo, principalmente nas costas, pernas e articulações. Essas dores costumam ser tão intensas que a doença foi chamada de febre quebra-ossos. Os linfonodos ficam inchados e pode surgir uma breve erupção cutânea no rosto. Os sintomas duram 2 ou 3 dias, depois diminuem. As pessoas geralmente se sentem bem por cerca de 24 horas. Depois disso, a febre pode retornar e uma erupção cutânea surgir no tronco e espalhar-se para os membros e a face.

 

A febre hemorrágica por dengue é a forma mais grave da dengue e acontece quando a pessoa infectada sofre alterações na coagulação sanguínea, esta reação danifica os vasos sanguíneos que passam a vazar líquido e/ou sangue. Por vezes, verifica-se uma passagem de líquido dos vasos sanguíneos para os pulmões, provocando dificuldade respiratória. Pode ocorrer sangramento do nariz, da boca, do trato gastrointestinal e de feridas por picadura. As pessoas podem vomitar sangue ou apresentar sangue nas fezes. Pode ocorrer sangramento sob a pele na forma de pontos ou manchas arroxeadas. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. No geral, a dengue hemorrágica é mais comum quando a pessoa está sendo infectada pela segunda ou terceira vez. Quando tratada por médicos experientes, a febre hemorrágica por dengue é fatal em menos de 1% das pessoas. Porém, sem tais cuidados, 30% das pessoas chegam a morrer.

 

A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa. O ciclo de transmissão ocorre do seguinte modo: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosquito da dengue adulto vive em média 45 dias. Uma vez que o indivíduo é picado, demora no geral de três a 15 dias para a doença se manifestar, sendo mais comum cinco a seis dias. A transmissão da dengue é mais propícia em temperaturas em torno de 30° a 32° C - por isso o mosquito se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente e úmido) e em 48 horas o embrião se desenvolve. 

 

É importante lembrar que os ovos que carregam o embrião do mosquito da dengue podem suportar até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Essa é uma das razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar da fase do ovo até a fase adulta, o inseto demora dez dias, em média. Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia após se tornarem adultos. Depois, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, que possui as proteínas necessárias para o desenvolvimento dos ovos.

 

O mosquito Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar, transmitindo a dengue, nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no momento. A fêmea do Aedes aegypti também transmite a febre chikungunya, a febre Zika e a febre amarela urbana.

 

Se você suspeita de dengue, vá direto ao hospital ou clínica próxima a sua casa. Os médicos farão a suspeita clínica com base nas informações que você prestar, mas o diagnóstico de certeza é feito com o exame de sangue para dengue ou sorologia para dengue. Ele vai analisar a presença do vírus no seu sangue e leva de três a quatro dias para ficar pronto. No atendimento, outros exames serão realizados para saber se há sinais de gravidade ou se você pode manter repouso em casa. O exame físico pode revelar fígado aumentado (hepatomegalia), pressão baixa, manchas vermelhas pelo corpo, olhos vermelhos e pulsação fraca e rápida. Os exames laboratoriais podem incluir testes de coagulação, eletrólitos (sódio e potássio), hemograma completo, enzimas do fígado (TGO, TGP).

 

Não existe tratamento específico contra o vírus da dengue, faz-se apenas medicamentos para os sintomas da doença (analgésicos, antitérmicos e reposição líquida). É importante apenas tomar muito líquido para evitar a desidratação. Pacientes com dengue ou suspeita de dengue devem evitar medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (aspirina) ou que contenham a substância associada. Esses medicamentos têm efeito anticoagulante e podem causar sangramentos. Outros anti-inflamatórios não hormonais (diclofenaco, ibuprofeno e piroxicam) também devem ser evitados (aumentam o risco de sangramentos). O paracetamol e a dipirona são os medicamentos de escolha para o alívio dos sintomas de dor e febre devido ao seu perfil de segurança, sendo recomendado tanto pelo Ministério da Saúde, como pela Organização Mundial da Saúde.

 

Fique atento aos sintomas (principais são: dor abdominal severa, vômitos, dificuldade em respirar ou sangramento no nariz, vômito ou diarréia). Se eles persistirem, procure seu médico e explique a ele o que está sentindo. Evite a automedicação. E até a próxima semana.

 

DRA POLIANA PELISSARI - MÉDICA GENERALISTA PELA UNIFENAS BH

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